José Patrício/AE-10/1/2011
José Patrício/AE-10/1/2011

Nova Fuvest afeta cursos de baixa procura

44% das graduações da USP são pouco concorridas e terão suas notas de corte aumentadas

Isis Brum, Jornal da Tarde

06 Junho 2011 | 11h56

As mudanças aprovadas para o vestibular da Universidade de São Paulo (USP), que valem já a partir deste ano, poderão prejudicar os cursos de baixa procura, como é o caso das licenciaturas. Entre as novas regras estão o aumento da nota de corte da primeira fase - que passa de 22 para 27 - e a diminuição no número de candidatos chamados para a segunda etapa.

 

“Há um risco potencial de cercear o ingresso nesses cursos (de baixa procura)”, observa Ocimar Alavarse, professor da Faculdade de Educação da USP. “São regras muito rígidas, que vão no sentido contrário à ampliação do acesso à universidade”, completa.

 

No ano passado, 47 dos 107 cursos de bacharel e licenciatura oferecidos pela USP tinham até 6,5 candidatos por vaga. Esse porcentual representa quase a metade do total de graduações disponíveis na universidade - mais precisamente, corresponde a 44% delas. A menor procura é por Música em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo: apenas 1,73 candidatos por vaga. Em São Paulo, a relação sobe para 3,31.

 

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A nota de corte em Música foi de 24 pontos no último vestibular. Com a nova regra, no entanto, candidatos com essa pontuação estariam fora da lista de convocados para a matrícula. O estudante Jair Policastro, de 25 anos, vai enfrentar a Fuvest para essa carreira pela primeira vez. Ele, que toca guitarra e violão, acredita que a decisão de considerar a nota da primeira fase, outra alteração feita pelo Conselho de Graduação (CoG) da USP, irá ajudá-lo a compor melhor a nota final. “A segunda fase é mais difícil. A nota da primeira vai ajudar”, opina.

 

Ao saber das mudanças, Camila Pereira dos Santos, de 21 anos, já se prepara para ter de estudar ainda mais. Ela calcula que terá de passar este e até os próximos dois anos no cursinho Henfil para conseguir passar no curso de Psicologia. “As mudanças prejudicam os que vieram de escola pública. Eu acho que vou ter de estudar por mais uns três anos para passar no vestibular”, afirma Camila.

 

Larissa da Silva Diniz, 19 anos, que tenta Engenharia Química, também acredita que o vestibular ficará mais difícil. “Acho que haverá menos candidatos na segunda fase”. E critica a ideia de computar a pontuação da primeira etapa à segunda. “Os candidatos deviam competir em condições de igualdade.”

 

Coordenadora pedagógica do Cursinho da Poli, Alessandra Venturi também mostra preocupação com os vestibulandos vindos da rede pública, mas diz que os ajustes foram coerentes e que “precisavam ocorrer”. Segundo ela, “cada vez mais, o foco do vestibular é o vestibulando com a melhor formação.”

 

Na avaliação de Alessandra, a elevação da nota de corte propiciada pelas mudanças aprovadas pelo CoG poderá contribuir com o aumento das vagas ociosas. “Mas não será fator determinante”, acredita. A preocupação, mesmo, é com o distanciamento entre a USP e os alunos das escolas públicas. “Eles são 90% dos alunos matriculados no Ensino Médio: simplesmente, a maioria”, completa Alavarse.

 

Na tentativa de diminuir a distância entre a USP e os alunos da rede pública, o CoG aprovou um novo modelo para o Programa de Inclusão Social da USP (Inclusp), baseado no desempenho dos alunos, em março - de modo que o teto da bonificação subiu de 12% para 15%, mediante a pontuação obtida na primeira fase.

 

Mas esse bônus só poderá ser plenamente aproveitado na edição 2014 do vestibular da USP. Como é cumulativo ao longo do Ensino Médio, somente quem estiver no primeiro ano e concluir os estudos na escola do município ou do Estado terá direito a esse porcentual máximo. “A ampliação do bônus é uma ilusão”, critica Alavarse. No caso de Camila, por exemplo, que estudou “a vida toda em escola pública”, será impossível atingir esse índice de 15% para o bônus.

 

O QUE MUDA

 

NOTA DE CORTE

Passou de 22 para 27 pontos

 

QUESTÕES

No segundo dia da segunda a fase, o número de questões foi reduzido de 20 para 16

 

CANDIDATO POR VAGA

Eram aprovados 3 para a 2ª fase - agora, irá variar de 2 a 3

 

COMPOSIÇÃO DA NOTA

A nota da primeira fase passa a ter o mesmo peso da segunda

 

NOVA OPÇÃO

O candidato poderá escolher outro curso após a 3ª chamada se houver sobra de vagas

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