No Amazonas, alunos já estavam a caminho do exame

Estudantes foram interceptados a barco; deslocamento levaria até quatro dias

Elida Oliveira, Especial para O Estado de S. Paulo

02 Outubro 2009 | 10h19

O cancelamento do Enem causa transtornos maiores para alunos de regiões distantes. No Amazonas, que tem 134 mil inscritos no exame, muitos estudantes já haviam saído das comunidades rurais e indígenas para os municípios sede a fim de fazer a prova do Enem neste fim de semana.     Entre os 62 municípios da região, 43 seriam locais de prova. Cerca de 90% das comunidades têm acesso exclusivo por barco - algumas a quatro dias de distância.      Veja também:  Blog da Renata Cafardo: Bastidores do vazamento do Enem  Exame deve ser aplicado na 1ª quinzena de novembro  MEC deve manter endereços das provas  PF mira impressão e distribuição das provas  Professores recomendam estudar; tire suas dúvidas  Na web, alunos lamentam e festejam cancelamento  Enem fraudado é disponibilizado para simulados pelo MEC  TV Estadão: Ministro da Educação fala sobre vazamento   Na manhã de ontem, alunos de Envira, que fariam a prova em Eirunepe, a três dias de viagem, foram interceptados no meio do caminho por uma 'voadora'. Eles já haviam deixado suas casas para fazer a prova no sábado. Outros, que iam da zona rural de Caruari para a cidade também foram informados do cancelamento.     O Amazonas passa por período de chuvas e os ventos derrubam muitas torres de transmissão, o que dificulta a comunicação. A cidade de Barreirinha, por exemplo, recebeu a notícia apenas no início da noite de ontem. "Sem a torre de rádio, não conseguimos avisar com antecedência", disse Edson Melo, gerente de ensino médio da Secretaria de Educação do Amazonas.     A Universidade Federal do Amazonas usará o Enem para o preenchimento de 50% das vagas; as demais passam por processo de seleção seriada, com provas a cada um dos anos do ensino médio. De acordo com a pró-reitora de graduação, Rosana Parente, a adesão ao Enem será mantida. "Recebemos a notícia com surpresa e não podemos deixar de ficar preocupados. Sabemos que já há alunos que estão se deslocando para as provas. Mas mantemos a credibilidade no MEC."

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