Mudança no plano de segurança do Enem é alvo de investigação, diz Haddad

Ministro da Educação diz ao Congresso que ambiente do qual a prova foi desviada não estava previsto no plano logístico

Bruno Lupion, estadao.com.br

14 Outubro 2009 | 12h45

O ministro da Educação, Fernando Haddad, afirmou que a apuração sobre o vazamento da prova do Enem deve ter como meta principal responder por que o Consórcio Connasel teria decidido criar um ambiente de manuseio da prova que não estava previsto no plano de segurança original.   Veja também:  Prazo para pedir mudança de cidade do Enem termina nesta quarta  Leia tudo que foi publicado sobre o Enem  ESPECIAL: Fraude no Enem muda calendário de faculdades   Haddad, que prestou esclarecimentos nesta quarta-feira, 14, à Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados, disse que o ambiente onde ocorreu o desvio de uma prova, posteriormente oferecida ao jornal O Estado de S. Paulo, não fazia parte do plano aprovado com o Consórcio.   "Por que foi criado um ambiente inseguro, não previsto no plano logístico?", questionou o ministro. "Quem, com qual prerrogativa, tomou a decisão para criar o ambiente onde se deu exatamente o delito?", acrescentou.   Mais tarde, falando à Comissão de Educação do Senado, o ministro fez a ressalva de que o assunto ainda está sob investigação, e que "aparentemente" houve uma mudança no plano logístico inicialmente previsto.   "As informações colhidas até aqui dão conta de que, aparentemente, houve uma mudança de plano logístico", que previa impressão em São Paulo e manuseio no Rio.   "Teria havido uma mudança de procedimento", disse o ministro. "Abriu-se, em São Paulo, em outro ambiente, um espaço de manuseio" onde as regras de segurança não foram cumpridas. Ele disse que, pelo que se sabe, o Inep - órgão do Ministério da Educação - não foi informado e nem aprovou a mudança.   "Isso ainda está sendo apurado", ressalvou. "Essas são as informações preliminares que recebi, num processo ainda sob investigação".   O ministro afirmou ainda que, tenha ou não ocorrido a abertura desse espaço inseguro, e tenha ou não a abertura sido autorizada por órgão do mininstério, não é possível exonerar o consórcio de responsabilidade no roubo da prova.   Segundo Haddad, o esclarecimento dessa questão deverá orientar a estratégia da Advocacia Geral da União para buscar, na Justiça, a indenização pelo cancelamento da prova.   Haddad disse esperar que novos procedimentos possam ser adotados para acelerar a divulgação dos resultados da prova, a fim de não comprometer o calendário letivo de 2010. Ele agradeceu a colaboração dos reitores das universidades que se adaptaram à nova data do Enem e aos ministérios que ofereceram apoio à nova prova. Ele citou nominalmente os ministros Nelson Jobim (Defesa), Tarso Genro (Justiça) e Hélio Costa (Comunicação).   (Ampliada às 15h26, com o depoimento do ministro no Senado)

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