HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO
HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO

Mobilizações ‘racham’ e causam revolta entre os estudantes

Na Escola Estadual Fernão Dias, alunos votaram pelo fim de movimento; em Etec, jovens exigem manutenção das aulas

Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

03 Maio 2016 | 03h00

SÃO PAULO - As ocupações surpresas feitas por um pequeno grupo de estudantes em protesto contra a falta de merenda nas Escolas Técnicas Estaduais (Etecs) de São Paulo causaram revolta entre os alunos que ficaram sem aula nesta segunda-feira, 2, e minaram a estratégia dos secundaristas de expandir o movimento como aconteceu no fim ao ano passado. 

Na Escola Estadual Fernão Dias, de ensino fundamental e médio, a maioria dos alunos da manhã votou contra a continuidade da ocupação em assembleia feita no colégio, que fica em Pinheiros, zona oeste da capital. A escola foi símbolo das ocupações do ano passado que atingiram 196 escolas contra a reorganização escolar que previa o fechamento de 93 unidades.

Os próprios jovens que invadiram a Fernão Dias na madrugada de sábado em solidariedade à ocupação do Centro Paula Souza feita na quinta-feira por causa da falta de merenda admitiram que a ação foi “precipitada” e que a maioria dos alunos da escola parecia ser contra a ocupação. A escola tem cerca de 1.600 alunos nos três períodos.

“Acho que a gente ocupou de forma precipitada. Mas por isso abrimos espaço para os alunos se manifestarem. Houve muito conflito verbal, quase agressão física, e eles (alunos contrários à ocupação) não quiseram ouvir a gente, saber o problema da escola. Votaram e foram embora”, disse o estudante Marcelo Eduardo, de 16 anos, aluno do 2.º ano do colégio.

Após a votação da manhã, a Secretaria Estadual da Educação divulgou que a escola havia sido desocupada. À tarde, porém, os estudantes ainda controlavam o portão principal da unidade, mas já haviam perdido domínio sobre as dependências do colégio. 

“Ocuparam a nossa ocupação”, disse um dos alunos inconformado com a presença de funcionários, professores e assessores da secretaria na escola desde às 7 horas. O promotor Antônio Ozório, que atua como assessor de Educação no Ministério Público Estadual (MPE), foi ao local e disse que professores e pais de alunos estavam revoltados com a ocupação. “É um movimento fora de hora.”

Na noite desta segunda, os alunos fizeram nova assembleia para decidir o futuro da ação, mas a baixa presença de estudantes (cerca de 30) demonstrava a falta de apoio. “Eles forçaram essa ocupação e não deu certo. Amanhã (hoje) haverá aula normal”, disse a supervisora de ensino do colégio, Maria Cecília Sarno. 

Técnico. Na Escola Técnica de São Paulo (Etesp), que fica na Avenida Tiradentes, região central da capital, a ocupação feita na manhã desta segunda por estudantes que estudam em período integral (sete horas) gerou críticas de alunos e professores dos cursos técnicos noturnos, com carga horária de apenas três horas.

“Concordo com a causa deles, mas não podem bloquear a nossa entrada à noite. Não faz sentido brigarmos por merenda se ficamos três horas aqui”, disse Simone Santos, de 43 anos. Após assembleia, o prédio foi liberado para aula à noite. Nesta segunda, o Centro Paula Souza forneceu merenda seca para os alunos da manhã. 

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