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Ministério nega que atraso do Ideb esteja ligado a eleições

O Estado de S. Paulo

03 Setembro 2014 | 20h 20

Dados sobre a educação deverão ser apresentados nesta sexta, a partir de informações de escolas de ensino fundamental e médio 

BRASÍLIA - O governo federal vai apresentar na próxima sexta-feira os resultados do Índice de Desenvolvimento do Ensino Básico (Ideb), que avalia a qualidade da educação em Estados e municípios. Depois de um atraso quase 20 dias em relação à última divulgação, em agosto de 2012, surgiram suspeitas de que os dados estariam sendo guardados para depois das eleições, em outubro. O Ministério da Educação nega. 

O Ideb é realizado a cada dois anos e seus resultados, apresentados no ano seguinte. Os dados que serão revelados, em princípio, na próxima sexta-feira, foram colhidos em provas feitas em todas as escolas de ensino fundamental e uma amostra do ensino médio em 2013. Segundo o Estado apurou, a demora na divulgação do indicador levantou suspeitas entre servidores do Inep, que acreditam que o período de campanha eleitoral possa estar afetando a decisão do governo de tornar públicos os dados. De acordo com o MEC, a necessidade de um prazo maior para divulgação se deveu apenas aos mais de 300 recursos recebidos de escolas e municípios que questionavam os resultados. 

Reportagem do jornal O Globo da última quarta-feira revelou que funcionários do Instituto Nacional de Estatísticas e Pesquisas Educacionais (Inep), responsável pela realização da avaliação, e do próprio MEC estariam questionando se o atraso não estaria sendo causado pelas eleições. O jornal afirma também que os dados estariam na Casa Civil e o MEC esperaria uma autorização para publicá-los.  

Não se sabe ainda se os números mostram avanço ou estagnação na qualidade da educação, mas se não houver um avanço no Ideb os resultados podem ser usados contra o governo da presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição. Ao mesmo tempo, também podem ter peso para candidatos a reeleição nos governos estaduais, responsáveis pela educação básica. Desde 2009, quando o Ideb foi criado, os índices mostraram melhorias no 4º e 8º ano do ensino fundamental e estagnação no ensino médio. 

Em nota, o MEC negou que houvesse qualquer intenção de segurar a apresentação. Informou, ainda, que os dados já estão com os municípios e os Estados e aguardava apenas a validação dos recursos para marcar a divulgação.  

Improcedente. Em nota, a Casa Civil da Presidência da República comunicou que é "totalmente improcedente" a informação de que o órgão teria recebido os números do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). "A Casa Civil não recebe, analisa ou divulga os dados do Ideb, sendo esta uma atribuição exclusiva do Ministério da Educação e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep)", comunicou a assessoria da Casa Civil.