Mestrando em Culturas Literárias Europeias consegue bolsa de estudos

O paulista Bruno Ribeiro de Lima já passou pela França e agora está na Itália

Suzane Frutuoso, Jornal da Tarde

13 Dezembro 2010 | 13h16

Paulista de Caieiras, Bruno Ribeiro de Lima, 24 anos, conseguiu uma das bolsas mais prestigiadas da área acadêmica: a Erasmus Mundus, concedida pela União Europeia, com valor mensal de cerca de 1,5 mil euros. Ele faz mestrado em Culturas Literárias Europeias. No primeiro ano, o curso foi na Universidade de Estrasburgo, na França. A segunda etapa, iniciada em agosto, ocorre na Universidade de Bolonha, na Itália. De lá, ele conta como é ser um estudante internacional.

 

Como tem sido a experiência de morar em outros países?

 

Falo melhor francês do que italiano. Atualmente, moro na Itália num apartamento com mais quatro rapazes. Nenhum deles fala outra língua. No começo, até para pedir um garfo era difícil. Depois de duas semanas já estava mais seguro. É totalmente diferente de ir para um país já com uma boa base linguística, como foi o caso do francês para mim. Aqui, ao mesmo tempo em que aprendo como se diz uma coisa, aprendo como fazer ou em que contexto se usa. O exemplo clássico é na cozinha. Aprendo os verbos, os nomes e toda a linguagem culinária fazendo o almoço, o jantar, preparar o café.

 

Por que o contato com outros idiomas é tão importante?

 

No contato com línguas diferentes, temos contato com formas diferentes de olhar o mundo. E isso é importante não só do ponto de vista profissional, mas principalmente social. O contato linguístico do ‘outro’ é uma forma eficaz de exercer a democracia. Um meio de quebrar o que temos como ‘verdade’.

 

Já viveu algo inusitado nesse tempo em que está aí?

 

Eu fiz parte de uma campanha publicitária pela nova tarifa do transporte público em Estrasburgo quando morava lá. Gostaram da minha cara de estudante e fui escolhido. O melhor foi que eu só descobri que tinha sido aceito quando a minha foto já estava em toda a cidade! A campanha durou dois meses. No restaurante universitário sempre alguém virava pra mim e dizia: ‘Você não é o cara da foto?’ Foi por uma boa causa: de quase 50 euros, a carta para uso do transporte mensal ficou por 22 euros.

 

Teve alguma dificuldade de adaptação?

 

Sou desgarrado. Tenho facilidade de adaptação em qualquer lugar. Acho importante sentir-se estranho, estrangeiro realmente.

 

Qual dica daria para quem se prepara para estudar em outro país?

 

Faça o esforço mínimo de se sentir fora do seu país para, assim, buscar integrar-se. Eu fico muito incomodado quando vejo pequenas ilhas sociais nas quais ‘os brasileiros só ficam com os brasileiros’, ‘os sérvios só ficam com os sérvios’, os ‘chineses só ficam com os chineses’ e etc. E nada é tão difícil como se pinta.

 

Como decidiu estudar fora?

 

Eu saí de uma cidade onde só tem eucalipto, pinheiro e terrão de futebol. Quando estava na faculdade, achava que a ideia de vir para a Europa era muito longínqua. Mas venha apto a receber a cultura do outro, a bater de frente com as suas ‘verdades’. Viver na Europa é pôr em xeque toda a vivência do antes. Se acredita que isso é importante, que pode arcar com as consequências de repensar tudo, seja bem-vindo.

 

Veja também:

 

- Real forte aumenta chance de estudar fora

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