Melhores instituições de ensino superior são privadas, diz MEC

Novo índice condensa desempenho de graduação e de pós; USP e Unicamp não se submeteram à avaliação

da Redação,

08 Setembro 2008 | 16h25

O Ministério da Educação divulgou seu ranking provisório das instituições brasileiras de ensino superior, com notas em uma escala que varia de 0 a 500, e conceitos que vão de 1 a 5. Das dez primeiras instituições, só aparecem duas públicas: o ITA, em quinto lugar, e Unifesp, ocupando o sétimo. As quatro primeiras escolas da relação são privadas; três da FGV (Rio e São Paulo) e uma de Campinas, a Faculdade de Odontologia São Leopoldo. USP e Unicamp não tomaram parte na avaliação.   Veja a lista completa de notas (arquivo Excel)   Esse é um quadro diferente do costuma aparecer nas avaliações oficiais, e que pode ter sido causado pelo desempenho dos cursos de pós-graduação. A avaliação, que está sendo chamada de Índice Geral de Cursos (IGC), condensa conceitos atribuídos tanto a cursos de graduação quando aos de mestrado e doutorado, em valores contínuos e em faixas que vão de 1 a 5.   No total, nove instituições tiveram conceito 1 (uma de São Paulo, Faculdade de Desenho Industrial de Mauá), 445 tiveram conceito 2 (116 de São Paulo), 852 tiveram conceito 3 (217 de São Paulo), 121 tiveram conceito 4 (121 de São Paulo) e 21 tiveram conceito 5 (10 de São Paulo).   Estão na lista 1.837 instituições, sendo 389 sem conceito. No total, foram 21 instituições na faixa de nota que corresponderia a 5.   Resultado final   Será com base no resultado final do Índice Geral de Cursos (IGC), que só estará pronto daqui a um ano, que o Ministério da Educação (MEC) vai promover um novo credenciamento das instituições de ensino superior. As instituições com notas baixas poderão ser descredenciadas. O índice divulgado nesta segunda-feira, 8, é provisório e o indicador de qualidade das instituições será definitivo somente após a visita in loco dos especialistas do MEC a todas as 173 universidades, 131 centros universitários e 1144 faculdades isoladas e integradas que receberam conceitos do MEC. As visitas serão feitas ao longo dos próximos 12 meses.   "Esse indicador serve de guia tanto para os estabelecimentos quanto para os especialistas do MEC que vão fazer as visitas in loco. A nota divulgada agora vai servir de guia, de orientação para as visitas", disse ontem o ministro da Educação, Fernando Haddad, ao divulgar o ranking das melhores universidades e faculdades do País. "O MEC tem 12 meses para recredenciar todas as instituições. O objetivo desse indicador é melhorar a qualidade do ensino superior", completou.   Daqui a um ano, as instituições que receberem notas 1 e 2 terão de assinar termo de compromisso com o MEC comprometendo-se a melhorar nos itens considerados ruins. Se a instituição teve nota baixa, por exemplo, por ter um corpo docente com poucos doutores, ela poderá comprometer-se a contratar professores com mais títulos acadêmicos. "A instituição assina o termo de compromisso de que vai sanear a deficiência. No limite, ela poderá ser privada de sua autonomia ou até descredenciada", explicou o ministro. As instituições que obtiveram notas acima de 3 vão ser todas visitadas pelo MEC e terão seu credenciamento renovado.   Na avaliação do ministro Haddad, um dos motivos para as instituições federais terem um bom desempenho deve-se ao corpo docente. "Infra-estrutura é um elemento importante que é levado em conta para compor o ICG, mas não é o único. A valorização do professor talvez explique a melhor performance das federais", disse o ministro.   Nota 3   Pelo IGC provisório, a maioria das universidades recebeu nota 3. "Isso é normal. As instituições grandes tendem a convergir para a nota 3, enquanto as menores ficam com notas 1 e 2, ou então, com notas 4 e 5. São nas instituições com um só curso que vamos encontrar mais notas 4 e 5", afirmou Reynaldo Fernandes, presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais.   Segundo o ministro Haddad, o MEC já esperava que as faculdades isoladas ficassem com o maior percentual de notas 1 e 2. "É natural que as instituições com mais tradição apresentem os melhores indicadores", disse. "Agora não tem cabimento comparar o indicador de uma universidade com o de uma faculdade que tem um único curso", ponderou Haddad.   O IGC servirá também de base para o MEC decidir se concede ou não a criação de novos cursos para as instituições de ensino superior. "Se uma determinada instituição tem cinco cursos e recebeu uma nota baixa do IGC e pede a abertura de um novo curso, o MEC não tem motivos para conceder essa nova autorização", disse Haddad. "O grande desafio é ampliar a atividade mantendo a qualidade", concluiu.   (Com Eugênia Lopes, de O Estado de S. Paulo)   Atualizada às 19h05

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