Melhores do País têm alta taxa de participação

Pelo menos 75% dos alunos fizeram Enem em 26 dos 30 colégios com notas mais altas

Aline Reskalla, Cedê Silva, Ocimara Balmant e Mariana Mandelli, O Estado de S. Paulo

12 Setembro 2011 | 03h27

Das 30 escolas com as melhores notas no Enem em todo o País, 12 tiveram participação de todos os alunos no exame e, em outras 14, pelo menos 75% deles realizaram a prova no ano passado. Apenas 4 colégios entre os mais bem colocados tiveram um porcentual inferior de participação de estudantes.

Os dados mostram que há um conjunto de escolas de elite que consegue obter pontuações elevadas com participação de praticamente todos os seus alunos no Enem. Outro característica comum é o fato de elas também realizarem processos seletivos para ingresso de alunos - escolhendo apenas os melhores.

São colégios que estão concentrados no Rio de Janeiro e Minas Gerais - Estados onde as principais universidades públicas são federais que utilizam a nota do Enem em seu processo seletivo. Entre os cerca de 800 colégios que tiveram 100% de participação do exame, um terço está localizado nesses dois Estados.

Vestibular. Minas tem cinco federais que usam o Enem no vestibular - a Federal de Minas Gerais (UFMG), por exemplo, utiliza o exame como primeira fase de seu processo seletivo. O Rio tem outras três universidades que também adotam o exame - a mais tradicional delas, a Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), usa o Enem para preencher de 20% a 60% das vagas.

“A participação tem crescido conforme aumenta a adesão das universidades federais ao exame. Isso mostra que o Enem virou o grande vestibular nacional”, afirma o educador Ocimar Alavarse, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). “Antes, havia uma disputa regional, agora há uma disputa com padrão nacional e balizada pelo Ministério da Educação”, diz Alavarse.

O ponto positivo da alta participação dos alunos é obter um retrato mais preciso do desempenho da escola, sem grandes distorções. “É uma porcentagem mais real, mais fiel ao desempenho daquela escola”, afirma a ex-presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) Maria Helena Guimarães de Castro. “Acho válido, para comparação, considerar as escolas que tiveram uma participação mínima de 75% dos alunos na prova.”

Maratona. Para passar nos seis vestibulares em que se inscreveu, três deles pelas notas do Enem, o estudante mineiro Carlos Henrique Andrande Xavier, de 18 anos, enfrentou uma maratona de estudos em uma escola tradicional de Belo Horizonte, o Colégio Santo Antônio, que teve uma das maiores médias do País e um foco na preparação do aluno para o Enem.

O objetivo dele sempre foi ser aprovado em uma das federais do Estado e, para isso, além da alta carga horária de estudos, investiu em simulados semanais do Enem. Hoje, ele cursa o primeiro período de Engenharia Mecânica da UFMG.

Pedro Firmino dos Santos, de 17 anos, aluno do Colégio Bernoulli, concentra seus estudos no Enem em busca de uma vaga de Medicina em universidade federal. Ele tem aulas todas as manhãs de segunda a sábado e, três vezes por semana, estuda também à tarde.

O colégio também dedica parte das aulas para preparar o aluno para o exame. “Apostamos em uma carga horária elevada. Para ficar na ponta, isso é fundamental”, diz o diretor de ensino do Bernoulli, Rommel Fernandes. “Investimos também nos simulados do Enem, que são aplicados com frequência aos sábados. Eles são essenciais para que os alunos não tomem sustos na hora da prova”, diz.

 

 

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