Melhora do ensino na base não atinge as demais séries

Depois de oito anos de avaliações, os primeiros anos avançam, mas os anos finais (6º ao 9º) e o ensino médio ainda patinam

LISANDRA PARAGUASSU e BÁRBARA FERREIRA SANTOS, O Estado de S. Paulo

06 Setembro 2014 | 00h32

Os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2013, divulgados ontem pelo Ministério da Educação (MEC), enterraram uma das principais apostas do governo quando se fala da melhoria da qualidade das escolas: a de que a consistente evolução dos anos iniciais do ensino fundamental iria chegar, naturalmente, aos demais níveis de ensino. 

Depois de oito anos de avaliações, os números mostram que, se os primeiros anos continuam melhorando, os anos finais (6.º ao 9.º) e o ensino médio ainda patinam e não alcançam a meta estimada. Dos 27 Estados, 16 obtiveram um Ideb pior em 2013 do que dois anos antes e outros seis, apesar de terem resultados melhores, ainda ficaram abaixo das metas. Na média nacional, o ensino médio manteve os mesmos 3,7 pontos de 2011 (redes pública e municipal), quando deveria ter chegado a 3,9. Mais do que isso, os dados mostram que o resultado só se manteve o mesmo porque as redes conseguiram melhorar indicadores de rendimento, reduzindo evasão e repetência.

O ensino médio tem sido, historicamente, o nível educacional tratado como problemático pelos governos federal e estaduais. A combinação de um currículo exagerado e considerado pouco atraente pelos jovens com a dificuldade de manter adolescentes nas escolas é usada como explicação. Em 2011, pela primeira vez, o ensino médio havia alcançado a meta, mas o Ideb mostra que não evoluiu. 

Os anos finais do ensino fundamental, no entanto, vinham apresentando uma evolução, mesmo que mais lenta do que as séries anteriores. Desta vez, o desempenho ficou abaixo do esperado. Apenas 7 das 27 Unidades da Federação conseguiram atingir os resultados projetados para 2013 e mais de 60% dos municípios também não chegaram lá. 

Para o especialista em educação e integrante do Conselho Nacional de Educação, Mozart Ramos Neves, os resultados são “frustrantes” para o País. “Havia uma expectativa de que, com todo o esforço de mobilização e de mais investimentos, haveria um avanço, o que não ocorreu”, explica. Já Reynaldo Fernandes, ex-presidente do Inep, afirma que o crescimento do Ideb de 2005 a 2009 não se comprovou neste ano. “Esperava-se que os grandes avanços nos anos iniciais anteriormente repercutiriam nos anos finais.”

O ministro da Educação, José Henrique Paim, admitiu que “o impacto não foi o esperado”. “Imaginávamos que teríamos uma onda de melhoria que passaria dos anos iniciais para os anos finais e chegaria ao ensino médio”, disse. “Essa onda acaba chegando, mas não no ritmo necessário. O impacto é mais reduzido. Há a necessidade de uma reflexão mais profunda sobre essa questão”, afirmou. 

Professor. Para Paim, é preciso discutir a formação dos professores para as etapas finais de ensino - que tiveram baixo desempenho no Ideb. Desde o fim dos anos 1990, o foco dos gastos dos governos têm sido na formação dos alfabetizadores. Apesar do Plano Nacional de Educação de 1996 determinar que todos deveriam ter formação superior, até hoje essa meta não foi totalmente cumprida. Apenas em 2011 o MEC criou um plano para dar formação superior adequada também aos docentes de anos finais e ensino médio. “Hoje já temos um modelo que funciona e uma maturidade muito grande no programa de formação. Isso nos faz crer que teremos resultados em menos tempo”, disse Paim.

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