Melhor pública de São Paulo atrai alunos da rede particular

Alvo de egressos de colégios vizinhos, escola da Lapa tem quadro estável e poucos temporários

Fábio Mazzitelli, Jornal da Tarde

19 Julho 2010 | 00h04

Diretora Marili Parrillo Vieira organiza biblioteca da escola, que empresta livros mais pedidos no vestibular

 

Colégio da rede pública regular da capital com o melhor desempenho no Enem, a Escola Estadual Professor José Monteiro Boanova tem atraído nos últimos anos, por motivos financeiros e também pedagógicos, alunos de escolas particulares vizinhas no Alto da Lapa, bairro de classe média da zona oeste.

No cargo desde 2007, a diretora Marili Parrillo Vieira, 49 anos, afirma que os pedidos de transferência feitos por famílias que poderiam pagar uma escola particular são relativamente comuns. "Tenho alunos que eram de escolas particulares da região. Eles me procuram bastante, não só por questões financeiras. Não vou dizer que a procura é alta, mas é constante, principalmente de alunos que querem fazer o ensino médio aqui", diz a diretora. "Se tiver vaga, faço a matrícula. Senão, fica na espera."

Ao responder sobre quais seriam esses colégios particulares, a diretora cita dois sem saber o desempenho deles no Enem. Os números reforçam o testemunho da servidora: a escola estadual obteve 599,98 pontos - nota maior que os vizinhos que cobram até R$ 780 por mês.

"Atribuo o nosso resultado ao meu quadro de professores. Cerca de 80% deles são efetivos, antigos na rede, com boa formação e estão nesta escola há bastante tempo. Isso garante continuidade e qualidade no ensino. Muitos professores acompanham o aluno desde o ensino fundamental", afirma Marili Vieira, que tem 30 anos de trabalho na rede.

Encravada numa região de alto poder aquisitivo, a José Monteiro Boanova é pequena para os padrões da rede estadual, que tem cerca de 5 milhões de alunos. São 750 estudantes, sendo 350 deles no ensino médio, oferecido somente de manhã. Em geral, o público atendido não é do entorno, mas de áreas mais carentes, como Jaguaré, Anhanguera, Vila Jaguara e até Osasco.

Os professores incentivam a formação de grupos de estudos no contra-turno escolar e a biblioteca guarda as obras literárias mais pedidas no vestibular. "Não temos parceria ou nenhuma ajuda diferente. Aqui é pura escola pública", diz a diretora.

Apesar de ser a primeira da rede regular, a escola do Alto da Lapa está só com o 202º melhor desempenho da capital e, incluindo o ensino técnico, ocupa o 68.º lugar entre as públicas do Estado. Só os colégios técnicos chegam ao nível dos particulares que encabeçam o Enem. Dois estão entre os top 30 - um federal e outro estadual. Ambos filtram os ingressantes por meio de vestibulinhos, o que torna o perfil dos estudantes mais homogêneo e competitivo.

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