Médicos criticam Fuvest pela troca de física por geografia

"É indiscutível a relevância da física na Medicina. Já geografia será útil em circunstâncias pontuais"

Bruna Tiussu e Elida Oliveira, especial para O Estado de S.Paulo

25 Maio 2009 | 23h58

Em abril, vieram as mudanças na estrutura do vestibular da Fuvest: a primeira fase passou a ser eliminatória e a nota deixou de contar para o desempenho geral do aluno; a segunda fase ganhou um dia a mais de prova e os candidatos terão de responder a questões dissertativas de todas as disciplinas.   Na semana passada, foi alterada a composição das provas específicas da segunda fase. Mudou o mix de disciplinas em 51 das 104 carreiras oferecidas na Fuvest. Geografia passou a ser obrigatória em 24 delas. As alterações mais polêmicas foram a substituição da prova específica de física por geografia no vestibular para Medicina e a inclusão de matemática entre as específicas do curso de Direito.   A alteração na Medicina surpreendeu alguns dos papas da profissão. "É indiscutível a relevância da física na Medicina. Já geografia será útil em circunstâncias pontuais", afirma o professor emérito da Faculdade de Medicina da USP, Vicente Amato Neto.   Para David Uip, diretor do Instituto de Infectologia do Hospital Emílio Ribas, a modificação não levará à formação de médicos com conhecimentos mais amplos. "O vestibular não vai alcançar esse objetivo. O currículo do curso exige conhecimentos muito pontuais na área e os alunos ficam focados nisso. Ampliar a cultural é uma preocupação pessoal."   Coordenadores de cursinhos ainda não assimilaram a novidade. "Sabemos da importância da geografia na saúde pública. Mas isso poderia ser cobrados em biologia", diz o coordenador do Anglo Vestibulares, Nicolau Marmo.   O presidente do Conselho de Graduação da Faculdade de Medicina, Mílton de Arruda Martins, alega que o objetivo da inovação é selecionar alunos de cultura abrangente. "Para um médico, todos os conhecimentos são importantes. Escolhemos, então, uma disciplina de Humanas (geografia), uma de Exatas (química) e outra de Biológicas (biologia)", disse. "Conceitos físicos continuarão sendo importantes no conjunto do vestibular."   Já no curso de Direito, além das provas específicas de história e geografia, os futuros calouros terão de demonstrar domínio em matemática. "As Exatas estruturam o raciocínio lógico e dedutivo, o que é necessário no Direito. Mas confesso que ficaria apavorado se eu fosse vestibulando", diz o especialista em Direito Público Guilherme Amorim.   As alterações foram decididas em votação no Conselho de Graduação da USP. "Queremos candidatos que saibam se expressar, busquem informações, tenham visão crítica da sociedade e habilidades para a carreira escolhida", diz a assessora da pró-reitoria de Graduação da USP, Maria Amélia de Campos Oliveira.   No entanto, elas não foram acatadas com unanimidade. "Não tivemos tempo de estudar se estas seriam as melhores alterações", diz Marco Lima Gubitoso, presidente da Comissão de Graduação do Instituto de Matemática e Estatística (IME). Na dúvida, o IME manteve física, química e matemática como disciplinas específicas na segunda fase.   A Fuvest já definiu o dia da primeira fase: 22 de novembro. Mas a data da segunda ainda não foi divulgada.

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