Divulgação/USP
Divulgação/USP

Medicina e Direito da USP debatem reforma curricular dos cursos

Outras universidades tradicionais, como a Unesp, também estão se reiventando

Ocimara Balmant, O Estado de S. Paulo

30 Abril 2013 | 10h15

Não há tradição que resista ao movimento de atualização das grades curriculares. Graduações prestigiadas de instituições tradicionais, como a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Universidade de São Paulo (USP), também estão se reinventando, mesmo que lentamente e com muita resistência.

 

“Os docentes são muito reticentes. Vários dizem que não se enxergam no novo currículo. Mas é um caminho definido. Eles terão de se enxergar ali”, afirma o vice-diretor da Faculdade de Medicina da Unesp, José Carlos Peçaroli.

 

Com 50 anos de história, a graduação em Medicina, que funciona no câmpus de Botucatu, está passando pela mais ampla reformulação. Os debates começaram em 2009, mas o novo currículo deve valer apenas para os calouros que começarem o curso em 2015.

 

A grande mudança gira em torno do perfil do egresso. Sai de cena a prioridade para especialidades e ganha espaço uma preocupação com a formação primária, resultado do crescente investimento do Ministério da Saúde em programas como o Saúde da Família, que demanda médicos com perfil mais generalista.

 

Para isso, abdicou-se do currículo conhecido como 2-2-2 (dois anos de ciclo básico, dois de aplicação e dois de internato) pelo nuclear, construído por meio de módulos. No módulo neuromuscular, por exemplo, o aluno terá aulas com o professor de Anatomia (atualmente do ciclo básico) e com o de Ortopedia (hoje na parte clínica).

 

“Integrar conhecimentos é uma tendência mundial. E, no Brasil, caminha-se na direção de fazer um curso mais integrado ao Sistema Único de Saúde (SUS) e às demandas atuais, como o envelhecimento da população, que requer médicos com um olhar mais global”, afirma o professor Milton de Arruda Martins, ex-presidente da Associação Brasileira de Educação Médica.

 

Na Faculdade de Medicina da USP, onde Martins leciona, a reforma curricular também está na pauta. “Ainda não há nada definido, mas já se sabe da necessidade de promover uma integração maior entre as disciplinas básicas.”

 

Vida prática

 

No curso mais tradicional de Direito do País, o da USP, a reformulação da grade é uma demanda dos alunos. Eles querem um currículo menos engessado,com diminuição das disciplinas obrigatórias e maior abertura para que cursem créditos de outras unidades da instituição, além da valorização das atividades de pesquisa e extensão.

 

“Do jeito que está hoje, a gente fica muito tempo na sala de aula, com pouco incentivo para as atividades práticas, que são fundamentais. O ideal é que a faculdade tivesse um núcleo que apresentasse essas possibilidades de mostrar como o Direito funciona no dia a dia”, diz Alexandre Ferreira, presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto.

 

Atendendo ao pedido dos alunos, foi montada uma subcomissão para analisar o assunto e, segundo o professor Renato Silveira, o novo currículo deve entrar em vigor em no máximo dois anos. “Fizemos um levantamento com algumas das principais escolas de Direito do mundo e a proposta – que contempla o que pedem os discentes – em breve será levada à Congregação.”

 

Visão global da FGV

 

Na Fundação Getúlio Vargas (FGV), o curso símbolo da instituição – o de Administração – também se adapta à exigência de um currículo que olhe para o contexto deste século. Uma das apostas é a disciplina Negócios Sociais, na qual os alunos desenvolvem projetos com pequenos comerciantes de comunidades carentes de São Paulo.

 

Neste semestre, os alunos desenvolveram um plano de melhoria para seis empreendimentos na Favela de Heliópolis, na zona sul paulistana. De olho nessa economia global, a instituição também tem acordos de intercâmbio com mais de 80 escolas pelo mundo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.