Jose Patricio/Estadão
Jose Patricio/Estadão

MBA valoriza o currículo e aumenta o salário

Segundo pesquisa do site de empregos Catho, quem fez MBA recebe em média 9% a mais que profissionais que não fizeram a especialização

Guilherme Soares Dias/Especial para o Estado, Estadão.edu

17 Dezembro 2013 | 11h07

Garantir um aumento de cerca de 30%, ter reconhecimento na empresa, ampliar a rede de contatos e aprofundar os conhecimentos práticos na área em que trabalha. Alguns dos maiores anseios profissionais podem ser atendidos cursando uma MBA, segundo apontam pesquisas e especialistas. De acordo com eles, os cursos estão cada vez mais específicos e procuram atender às demandas de diferentes áreas.

Mesmo exigindo investimento alto, o MBA é certeiro quando a intenção é valorizar o currículo e aumentar o contracheque. É o que mostra pesquisa da Catho, site de empregos, sobre média salarial de 2.769 cargos de 256 áreas profissionais diferentes. Os dados inéditos, de novembro de 2013, mostram que um profissional com nível hierárquico júnior, pleno ou sênior recebe, em média, R$ 3.424,71, quando tem formação superior (veja quadro ao lado). Quando considerado o profissional com mesmo nível hierárquico, mas que fez MBA, o salário sobe 31%, para R$ 4.473,70. O valor é 9% maior do que o de profissionais que fizeram especialização.

Para o diretor de Marketing e Estratégia da Catho, Luis Testa, o funcionário que tem pós-graduação abre portas. "As empresas dão preferência para profissionais capacitados. Quanto maior a qualificação, não só de conhecimento, mas de insumos teóricos, mais esses funcionários adotam ferramentas que agregam novas práticas nas empresas", diz.

Testa ressalta que a oferta de cursos de MBA é cada vez mais ampla, tanto no Brasil quanto no exterior. "Esse título é muito relevante nas empresas e ainda é raro encontrar grande volume de pessoas que fizeram. É uma oportunidade interessante, e os profissionais estão buscando cada vez mais jovens", afirma.

Já John Schulz, presidente da BBS Business School, escola de negócios que atua no mercado de educação executiva há dez anos, ressalta que os profissionais que buscam esse tipo de curso tentam um "trampolim" para a carreira. "Ninguém faz por amor à arte", resume. Ele reforça que o MBA é um curso prático, menos teórico e mais voltado ao mercado. "O networking construído ao longo do curso poderá ajudar o profissional durante toda a carreira."

Após trabalhar por quase três décadas como repórter de TV, a jornalista Abigail Costa, de 50 anos, resolveu dar uma guinada na carreira com o MBA em Gestão de Luxo, na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap). "Estava com vontade de trocar de área, buscar coisas novas, que me dessem mais prazer", diz. A profissional ainda nem concluiu o curso e já foi chamada para gravar um piloto de um programa de rádio sobre o tema. "O curso foi muito interessante. Conheci pessoas ligadas a esse mundo de forma profissional, que farão parte dos meus contatos de trabalho nos próximos anos, e, agora, devo me debruçar sobre essa área", conta.

Já o gerente administrativo e financeiro do Shopping Taboão, Manoel Messias, de 38 anos, começou o MBA em Controladoria, da Anhanguera, em 2011, após ter sido promovido. "Precisava de algo mais para adicionar ao meu currículo. Ter visão mais estratégica para gerenciar, aprender a liderar a equipe e trocar ideias com executivos de diferentes áreas durante o curso. Somou bastante ao trabalho", diz.

Variedade. Nos últimos anos, os MBAs passaram a não ser mais apenas genéricos com títulos de "executivo" ou "financeiro" e tentam a atender à demanda de profissionais de diferentes áreas. O número maior de cursos, no entanto, requer cautela dos interessados em estudar. Segundo o presidente da Associação Brasileira das Instituições de Pós-Graduação (ABIPG), Marcelo Saraceni, a escolha do melhor MBA deve ser feita com base no conhecimento sobre a universidade que o aluno pretende estudar. "É uma modalidade que está crescendo muito e é importante avaliar quais selos a instituição tem, para não fazer um curso que não seja tão proveitoso", considera.

A gerente de Orientação de Carreira do Grupo DMRH, Bruna Tokunaga Dias, lembra que as MBAs seguem a tendência dos demais cursos. "Cresceram as opções, como ocorreu com os cursos de graduação. Hoje, há mais especificidade", diz. Ela ressalta que, para garantir ganhos, é preciso esforços individuais. "O título pelo título não é símbolo de algo. O profissional precisa se esforçar para mostrar que tem mais conhecimento para conseguir aumento, por exemplo", afirma.

O MBA, contudo, é considerado pela especialista uma boa opção para quem quer mudar de área. "Pode servir para planejar negócios na nova carreira, adquirir conhecimentos e garantir uma rede de relacionamentos que pode ajudar nos primeiros trabalhos", conclui.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.