Matrícula em cursos tecnológicos sobe 26%

Apesar do incentivo do governo federal e das redes estaduais, oferta é maior nas instituições privadas de ensino

Mariana Mandelli, O Estado de S. Paulo

14 Janeiro 2011 | 20h13

Enquanto o ensino superior brasileiro demonstra, de forma geral, sinais de estagnação, as graduações tecnológicas despontam com crescimento notável. Dados do novo Censo da Educação Superior revelam que o número de matrículas em tecnólogos cresceu 26,1% – o índice geral dos cursos subiu apenas 2,5%.

 

Segundo o censo, os 486.730 alunos dos cursos tecnológicos hoje representam 11% do total do País. Nos últimos anos, os governos federal e estaduais têm investido no ensino técnico, tanto na educação básica quanto na superior. Durante a cerimônia de posse no início do ano, a presidente Dilma Rousseff (PT) prometeu ampliar o Programa Universidade para Todos (ProUni) para o ensino médio e profissionalizante. Apesar dos incentivos públicos, o censo mostra que a grande expansão se concentrou na rede particular de ensino.

 

Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, a importância dos cursos tecnólogos se deve ao fato de terem curta duração e de serem voltados especificamente para o mercado de trabalho. “A aceitação rápida no mercado, a duração e também os preços mais baratos das mensalidades atraem”, diz o pró- reitor da Universidade Cruzeiro do Sul (Unicsul), Danilo Duarte.

 

Perfil. Para o presidente da Associação Brasileira de Mantenedores do Ensino Superior (Abmes), Gabriel Rodrigues, os tecnólogos atraem um público mais velho e que já está no mercado. “São pessoas que querem ter uma formação na área em que trabalham”, diz.

 

É o caso de Géssica Damasceno, de 21 anos. Ela cursa Visagismo e Estética Capilar, curso da Unicsul que foca em técnicas que valorizam a beleza. “Já trabalho como cabeleireira e queria me aprofundar em tudo que existe sobre a área”, conta.

 

Apesar do crescimento, os tecnólogos ainda enfrentam preconceito. Em outubro, reportagem do Estado mostrou que empresas estatais, como a Petrobrás e a Caixa Econômica Federal excluem os tecnólogos dos editais de concurso. Para Rodrigo Capelato, diretor executivo do Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp), o preconceito tende a diminuir. “É uma questão de tempo. O mercado não pode se dar ao luxo de recusar mão de obra de qualidade.”

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