Andre Lessa/AE
Andre Lessa/AE

Mãos na argamassa

Alunos de Arquitetura da Belas Artes aprendem o dia a dia de uma obra, da colocação do piso à relação com os pedreiros

Felipe Mortara, Estadão.edu

28 Março 2011 | 23h01

Pranchetas, desenhos e maquetes talvez sejam as referências mais fortes para quem quer fazer Arquitetura. Bolar projetos bonitos e  funcionais parece ser o objetivo final – e até é, só que para isso acontecer é necessário encurtar a distância entre a teoria e a prática, apresentando ao  futuro profissional o dia a dia de uma obra.

 

O Laboratório Canteiro de Obras, que a Faculdade Belas Artes mantém há nove anos ao lado de sua sede, na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, ajuda  os futuros arquitetos a literalmente pôr a mão na massa. Com a ajuda de um mestre de obras e de um pedreiro, os estudantes ganham intimidade com rejuntes e contrapisos durante as aulas.

 

A aula no laboratório, obrigatória, é semanal e dura duas horas. Começa no 2.º semestre e segue até o 8.º. “Dá para ter noção de como as coisas são  feitas na prática, a gente pode ver se é fácil ou não e aprende que para tudo tem uma técnica”, conta Cecília Pedace, de 20 anos, aluna do 5.º semestre, após conseguir, com alguma dificuldade, dobrar com uma ferramenta uma estrutura de ferro para moldar concreto armado.

 

Coordenador do laboratório, Luiz Alberto Arcuri explica que, ao saber identificar as peças de uma instalação hidráulica ou como acontece um curto-circuito na rede elétrica, o estudante chega ao mercado mais desinibido e com domínio das tarefas cotidianas de uma obra. “A ideia não é criar um trabalhador da construção civil, mas um profissional que saiba como é cada etapa da obra e que possa orientar e avaliar a qualidade do serviço”, explica. “Para mandar, tem que saber também fazer.”

 

 

“É interessante aplicar a teoria. Tem gente que não curte colocar a mão na massa, mas também não aprende”, diz Brenda Lelli, de 19 anos, aluna do 3.º semestre. “Lá na sala a gente aprende no papel. Aqui a gente usa o que aprendeu”, endossa Juliana Oliveira, de 23 anos, maquiada e com as unhas feitas durante as aulas.

 

Parede torta. Profissionais de empresas de material de construção parceiras da Belas Artes ensinam a aplicar manta  impermeabilizante e tinta nas paredes. “A parede que erguemos não ficou reta. Manusear pá de pedreiro é complicado. Ser peão não é fácil, não”, brinca Victor  Augusto Alonso, de 21 anos, aluno do 5.º semestre.

 

O mestre de obras Raimundo Alves do Nascimento ajuda os estudantes nas atividades. “Nunca tive contato com o público, tinha um pouco de timidez”, diz Nascimento, que dá aulas há nove anos. “Aqui, me chamam de mestre, me sinto meio paizão.”

 

 

FRASES

 

"É interessante aplicar a teoria. Tem gente que não curte colocar a mão na massa, mas também não aprende"

Brenda Lelli, do 3.º semestre de Arquitetura

 

"A parede que erguemos não ficou reta. Manusear a pá de pedreiro é complicado. Ser peão não é fácil, não"

Victor Augusto Alonso, do 5.º semestre de Arquitetura

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