André Borges
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Após protesto contra cortes na UnB e tumulto no MEC, 4 são presos

Manifestação acabou em depredação e pichação do prédio do ministério; PM usou balas de borracha e bombas de efeito moral

André Borges, Felipe Frazão, Lígia Formenti e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

10 Abril 2018 | 13h16
Atualizado 10 Abril 2018 | 22h15

BRASÍLIA - Em protesto contra os cortes no orçamento da Universidade de Brasília (UnB), estudantes, servidores públicos e terceirizados da principal instituição de ensino do Distrito Federal fizeram uma manifestação em frente ao Ministério da Educação (MEC) nesta terça-feira, 10, movimento que acabou resultando em depredação e pichação do prédio, com ao menos quatro detidos pela Polícia Militar.

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Confira vídeo abaixo:

Cerca de 700 manifestantes chegaram pela manhã ao MEC. Entre reivindicações, protestavam contra a demissão de aproximadamente 500 funcionários terceirizados da UnB. Segundo relatório de gestão da universidade divulgado recentemente, no ano passado houve corte de 45% do orçamento destinado pelo governo federal para manutenção e investimento da universidade, na comparação com 2016. Os protestos também incluíram palavras de ordem contra o governo do presidente Michel Temer.

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O ministério negou que haja crise financeira na universidade e afirma que, até o início de abril, a UnB recebeu 60% dos recursos para custeio de 2018. "Portanto, não procede a informação que a instituição pode fechar nos próximos meses por falta de recursos. O discurso é falso, repete o de anos anteriores e tem como objetivo gerar tumulto e um clima de insegurança para a comunidade acadêmica que quer estudar e trabalhar", declarou o ministério.

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Por volta das 14 horas, os alunos, muitos deles encapuzados, ignoraram os pedidos de moderação feitos por funcionários da universidade e decidiram bloquear a Esplanada dos Ministérios. Houve atritos entre os próprios alunos e funcionários da UnB sobre a condução da pauta de reivindicações e as formas de protesto.

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A via foi fechada com sacos de lixo e pedaços de pau, que foram incendiados. Em seguida, alegando que a diretoria do MEC não os recebia, voltaram à frente do ministério e começaram a atirar pedras e paus contra a prédio, que teve diversos vidros quebrados e pichados.

Agentes da Polícia Militar, que faziam um cordão nas entradas do MEC e ao redor do prédio, revidaram com tiros de balas de borracha, bombas de efeito moral e gás lacrimogênio. Houve tumulto e ao menos quatro pessoas, todas maiores de 18 anos, foram detidas por crime ao patrimônio público. Os alunos correram para o outro lado da Esplanada e chegaram a bloquear a segunda via, mas foram dispersados pelo Batalhão de Choque da PM e pela Cavalaria.

FNDE

A partir daí, partiram para o prédio do Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação (FNDE), onde trabalham cerca de 1,2 mil servidores. Os estudantes entraram no prédio e tomaram alguns andares. Os funcionários, assustados, deixaram o local.

A reportagem do Estado entrou no prédio e acompanhou todas as tentativas de negociação entre os estudantes e representantes do FNDE. Até as 20 horas, ainda não havia um acordo fechado. Uma comissão de estudantes tentava firmar uma pauta com o secretário executivo adjunto do MEC, Felipe Sigollo. 

Negociação

Por meio de nota, o MEC informou que estava justamente tratando dos assuntos com representantes do movimento, mas que suspendeu a reunião com representantes da UnB após os manifestantes encapuzados quebrarem janelas com paus e pedras e tentarem invadir a sede. 

Segundo a Pasta, o orçamento global da UnB aumentou de R$ 1,667 bilhão em 2017 para R$ 1,731 bilhão em 2018. "Em 2016 e 2017, o MEC repassou 100% dos recursos para custeio das universidades federais, fato que não ocorria há dois anos." 

O MEC informou ainda que, para custeio, a UnB teve aumento de 12% no orçamento, considerando todas as fontes de recursos. De acordo com o ministério, "os problemas enfrentados pela UnB são no âmbito da gestão interna da instituição, uma vez que a aplicação dos recursos garantidos e repassados pelo MEC é definida pela universidade como prevê a autonomia administrativa, de gestão financeira, orçamentária e patrimonial". 

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