Manifestação de repúdio é inédita, diz diretor

Magalhães ataca antecessor e convida alunos a cantarem 'Apesar de Você'

Carlos Lordelo-Estadão.edu,

29 Setembro 2011 | 22h02

 

Fotos: JB Neto/AE

Alunos e professores da Faculdade de Direito, entre eles o procurador-geral do Etado, Elival da Silva Ramos, fizeram na noite desta quinta-feira um ato de repúdio ao reitor da USP, João Grandino Rodas. O diretor da unidade, Antonio Magalhães Gomes Filho, foi um dos sete professores que falaram no pátio das Arcadas. “Declaramos persona non grata um diretor que fez a polícia invadir a Faculdade de Direito”, referindo-se à autorização dada em 2007 por Rodas, então diretor da São Francisco, para que policiais entrassem no local para prender grevistas. Aplaudido de pé, ele disse que nunca antes alguém tinha sido considerado persona non grata na faculdade, nem diretores que apoiaram o regime militar.

Magalhães criticou o estilo de gestão de Rodas. “Como é que na República existe uma autoridade que nem é eleita, é escolhida – e a gente sabe como ele foi escolhido – e se julga nessa condição”, afirmou, numa alusão ao fato de que o atual reitor foi o segundo colocado da lista tríplice enviada ao então governador José Serra. O diretor encerrou sua fala comparando a gestão Rodas ao regime militar e convidou os alunos a cantarem Apesar de Você, de Chico Buarque.

Para o procurador-geral do Estado, a manifestação mostra que a faculdade não se dobra a quem quer que seja. "Se o preço das melhorias para nossa faculdade é baixar a cabeça para a reitoria, nós não queremos", disse Ramos. "Existem direitos na relação entre homens públicos e isso precisa ser respeitado."

O professor Sérgio Salomão Shecaira foi o mais exaltado. “Hoje é um dia memorável”, disse. “Tive o tesão de propor à Congregação que essa prerrogativa de persona non grata fosse dada ao Rodas.”

Segundo Shecaira, todas as medidas da gestão Rodas que serão enviadas pela congregação para análise do Ministério Público são “atos de improbidade administrativa”.

Ao fim do protesto, que contou com representantes do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP, os alunos da São Francisco discutiram a possibilidade de realizar uma manifestação conjunta em frente da reitoria na próxima semana.

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