Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Maior expansão, unidade Leste ainda preocupa

Câmpus está interditado e questões ambientais não foram resolvidas, o que pode comprometer

Paulo Saldaña, O Estado de S. Paulo

24 Janeiro 2014 | 03h00

Há dez anos, a maior expectativa na USP girava em torno da inauguração de uma nova unidade na zona leste de São Paulo. Resultado de histórica reivindicação de uma universidade pública na região mais populosa da cidade, a USP Leste (que abriga a Escola de Artes, Ciências e Humanidades, a Each) recebeu seus primeiros alunos em 2005, representando a maior expansão dos últimos anos. Mas a USP chega a seus 80 anos com a unidade interditada por problemas ambientais não resolvidos desde a inauguração e a volta às aulas no local está ameaçada.

Com a interdição, a nova diretora da unidade, professora Maria Cristina Toledo, tem feito parte do seu trabalho de uma mesa da lanchonete do Centro Esportivo da Cidade Universitária (CepeUSP), no Butantã. "Temos de ter a estabilização do funcionamento da unidade, com segurança, para que a escola possa desenvolver suas potencialidades", diz ela, escolhida para o cargo no ano passado. "Muitas pesquisas estão tendo prejuízos incalculáveis."

A USP Leste foi instalada à beira da Rodovia Ayrton Senna, em área usada para descarte de dragagem do Rio Tietê. Foram criadas dez graduações não tradicionais, escolha criticada à época por não atender a demandas da população local, de cursos de Administração e Engenharia. A unidade teve histórico difícil. Registrou alta evasão e ameaça de fechamento de vagas. Egressos de alguns cursos ainda enfrentaram dificuldade para obter registro profissional por causa dos currículos.

No ano passado, a USP foi autuada e multada pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) por inadequação na extração dos gases tóxicos do solo e por não ter realizado medidas em relação a terras contaminadas descartadas em 2011 na unidade. A interdição ocorreu no último dia 8 em respeito à decisão judicial que apontou riscos à saúde.

"Acho que criaram o câmpus e depois esqueceram", diz Guilherme Sampaio, de 19 anos, aluno do 2.º ano de Gestão de Políticas Públicas. Apesar dos transtornos, Sampaio está satisfeito com o que encontrou. "A melhor parte é a integração entre os alunos", diz ele, comentando o ciclo básico - disciplinas comuns a todos os cursos, parte do projeto pedagógico da unidade. "Tenho aulas ótimas."

Sampaio representa um pouco do ideal que se projetava para a unidade: é morador da zona leste e egresso de escola pública. "Só pensei na USP no cursinho. Na minha escola não falavam da Fuvest, era um horizonte muito distante", diz.

Planos. A nova gestão da Reitoria já se mostrou preocupada com a solução da situação atual, mas também com a necessidade de consolidar a unidade. Maria Cristina assumiu com a mesma perspectiva. "Mesmo muito nova, a unidade tem excelência. Mas precisamos fortalecer os cursos, extensão e pesquisa."

Os problemas adiaram os planos de expansão da USP Leste. A previsão era usar terreno vizinho para a construção de mais 38 mil m² - são, atualmente, 44 mil ,m² - para abrigar novos laboratórios e um centro de convenções assinado pelo arquiteto Ruy Ohtake, formado pela USP em 1960. "Um dos desafios da universidade é o desenvolvimento da USP Leste. A região tem 4 milhões de pessoas, e a contribuição da USP é muito importante para que a formação dos jovens dali possa contribuir significativamente na formação da sociedade", diz Ohtake.

A unidade tem sete pós-graduações. Estava previsto para este ano o curso de Engenharia, mas, com a interdição, sobram dúvidas. Hoje, são cerca de 5 mil alunos e 500 servidores.

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