ACERVO/ESTADÃO
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Jornal fez pesquisa para investigar a qualidade do ensino

Em 34 colunas em 1926, ‘Estado’ analisou a educação no País e pontuou necessidade de criação da universidade

Carlos Eduardo Entini, O Estado de S.Paulo

01 Fevereiro 2017 | 03h00

Estrutura de ensino desconexa, em que as poucas faculdades formavam apenas para o ofício, falta de preparação de docentes e inexistência da prática da ciência. Esse era o panorama da educação do Brasil em meados da década de 1920. O quadro inquietava o educador Fernando Azevedo e o jornalista Julio de Mesquita Filho, diretor do Estado. O encontro dos dois foi fundamental para a criação da Universidade de São Paulo e da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. Para eles, a mudança sociopolítica do País só viria pela educação. Para concretizar a mudança que idealizavam era preciso consultar professores, cientistas e escritores. Com esse espírito, o jornal O Estado de S. Paulo iniciou, em 1926, uma pesquisa sobre a situação da educação. Coube a Fernando de Azevedo, a pedido de Mesquita Filho, a coordenação de um questionário. 

A pesquisa investigou todos os aspectos do ensino: primário, secundário, profissionalizante e superior. Das 12 perguntas, três eram sobre o ensino superior. As respostas eram publicadas no jornal logo que eram recebidas, sob o título “A Instrucção Publica em S.Paulo”. Foram 34 colunas, entre junho e dezembro de 1926. 

A partir das respostas, a conclusão a que se chegou era de um ensino totalmente desconectado. No caso das universidades, elas simplesmente formavam pessoas para exercerem a profissão. A resposta do escritor Amadeu Amaral sintetiza aquela realidade. Para ele, nas universidades havia “quase exclusivo domínio dos objetivos imediatos e aparentes: o exame, a formatura, a colocação, a carreira prática ou profissional”.

Criar, transmitir, divulgar. Nada mais contrário ao projeto idealizado por Azevedo e Mesquita Filho de um sistema orgânico entre todos os níveis de ensino, em que a universidade teria de exercer uma “tríplice aliança”. Segundo Azevedo, em artigo no Estado, a universidade deveria “elaborar ou criar a ciência, pela pesquisa, de transmiti-la, pelo ensino de alto nível, e de divulgá-la, por tôda a espécie de meios”.

Quase dez anos após a pesquisa do jornal, em 25 de janeiro de 1934, a Universidade de São Paulo tornava-se realidade, com a criação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras e a junção a outras já existentes. 

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