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Jogando na primeira divisão

Brasil tem 3 dos 40 melhores MBAs executivos do mundo no ranking do ‘Financial Times’, mas nossas universidades mal chegam às listas de top 200. O que as escolas de negócios podem ensinar a elas?

Cedê Silva, Especial para o Estadão.edu

29 Novembro 2011 | 00h48

Enquanto três programas brasileiros de MBA executivo estão entre os 40 melhores do mundo no ranking do Financial Times, universidades de prestígio como USP e Unicamp enfrentam dificuldades para aparecer na lista das 200 melhores da consultoria QS ou da revista Times Higher Education (que até 2009 faziam juntas a avaliação e hoje têm rankings distintos). Nas listas de 2004, 2006 e 2009, o Brasil não tem uma só universidade entre as 200 melhores do mundo. Como pode um país mal avaliado em universidades ter algumas das melhores escolas de negócios?

 

Para Silvio Laban, coordenador dos MBAs executivos do Insper, são universos distintos. “Uma universidade com milhares de alunos e dezenas de cursos é diferente de um programa que recebe 40 ou 50 alunos por ano”, afirma. Em sua opinião, os rankings servem para orientar os estudantes, mas são também ferramentas de marketing. “É preciso ver o que o ranking está medindo. O que significa a tabela do Campeonato Brasileiro? Mede a bilheteria, o espetáculo ou a regularidade?”

 

Os rankings de MBAs executivos e universidades, de fato, não medem a mesma coisa. O Financial Times, por exemplo, mede o salário dos ex-alunos e vê quanto a remuneração cresceu. A diversidade de alunos e professores, tanto de nacionalidade quanto a proporção de mulheres, é levada em conta, bem como se os professores publicam artigos em revistas acadêmicas. A Business Week envia e-mails aos ex-alunos e pede que completem um questionário de satisfação, e os próprios diretores dos programas fazem suas listas de “top 10”.

 

Universidades são avaliadas por outros critérios. Na lista da QS, 40% da nota é dada pela reputação acadêmica e 20% leva em conta a razão entre o número de professores e o de citações de seus trabalhos. Ter poucos alunos por professor ajuda. A Times usa 13 indicadores, incluindo o dinheiro dedicado a pesquisas.

 

O coordenador de MBAs da ESPM, Edson Crescitelli, lembra que esses programas são bem mais novos que as universidades. “Eles já nasceram dentro de um padrão internacional. O que se discute aqui é próximo do discutido lá fora porque as empresas são globais.” Outra vantagem é a versatilidade. “Os MBAs não são engessados pelas normas do MEC como as universidades, podem evoluir mais rápido.”

 

Publicar em inglês e ter alunos de vários países pesa nos rankings de universidades, lembra Maurício Jucá de Queiroz, diretor da FIA. Mas as aulas em português afastam estrangeiros. “Quantas faculdades brasileiras podem mandar professores para o exterior?”, indaga.

 

Segundo o diretor de desenvolvimento da Dom Cabral, Paulo Resende, no Brasil, o ensino superior tornou-se uma necessidade para ser alguém na vida, perdendo a relevância que tinha de formar pessoas em busca de uma vantagem competitiva. “As escolas de negócios têm um objetivo claro: capacitar executivos para as empresas.”

 

Marina Heck, coordenadora no Brasil do OneMBA pela EAESP-FGV, acredita que os rankings não podem ser comparados. “Avaliação de universidade vê toda uma estrutura. Os rankings de MBA variam muito, cada um tem sua ênfase. O do Financial Times mede a diferença de salário, não tem nada a ver com estrutura.”

 

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