Investimento em educação é debatido no Senado

Valorização do magistério e proposta de 10% do PIB para educação foram discutidos 6ª-feira

Estadão.edu, com informações da Agência Senado,

11 Novembro 2012 | 19h08

Em discussão no Senado, a proposta do Plano Nacional de Educação (PNE) vem reacendendo o debate sobre o investimento em educação no Brasil. Com a meta de destinar 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para o setor já aprovada pela Câmara, especialistas e políticos conversaram na sexta-feira, 9, sobre a necessidade e os impactos desse financiamento para o País.

 

Em audiência pública, o professor e pesquisador do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) Waldery Rodrigues Júnior alertou para a necessidade de se discutir a forma de aplicação dos recursos. “Isso é muita coisa, um valor elevado e que precisa ser discutido”, comentou o especialista. Para ele, tão importante quanto a quantidade é a qualidade do investimento.

 

Além da audiência, o Senado também foi palco do seminário Gestão Escolar, promovido pela Frente Parlamentar Mista para o Fortalecimento da Gestão Pública. No evento, foram apresentados exemplos de boa gestão e discutidas propostas para aprimorar o PNE. A Escola Sesc de Ensino Médio, do Rio, foi um dos destaques apresentados no evento.

 

O colégio funciona como uma “escola-residência” e abriga alunos de todas as partes do País com bolsa integral: eles não pagam nada para cursar o ensino médio com um programa acadêmico individualizado em turmas de no máximo 15 alunos. Situada na 23.ª posição no ranking nacional do Enem, a escola possui média de 95% de aprovação nos vestibulares, segundo o diretor substituto da instituição, Antônio Viveiros.

 

O horário integral e a infraestrutura adequada apresentados pela escola do Sesc também estão na proposta de federalização da educação básica, defendida pelo senador Cristovam Buarque (PDT-DF). No seminário, ele aproveitou ainda para defender a valorização dos professores e a criação da carreira nacional do magistério, outro tema presente em sua proposta. Para o senador, o salário dos professores deveria ser de R$ 9 mil, e eles deveriam ser submetidos a avaliações periódicas. “Ele é estável em relação aos outros, mas instável com relação a ele próprio”, disse sobre a carreira do magistério.

 

Para Walter Garcia, um dos fundadores do Instituto Paulo Freire que esteve presente no seminário, de nada adianta fazer cálculos matemáticos se o País não for capaz de enxergar o essencial: um salário que atraia e mantenha as pessoas mais capazes na carreira docente. "Isso implica decisões políticas corajosas. Investir no professor salva o PNE, que está sendo discutido agora, e salva o País de mais um fracasso anunciado”, afirmou.

 

A valorização dos professores foi um consenso. Contudo, o deputado Luiz Pitiman (PMDB-DF), presidente da frente parlamentar ´mista, alegou que o simples esforço financeiro não é suficiente para resolver os problemas da educação no Brasil. A melhor saída, segundo ele, é o caminho da profissionalização e meritocracia, com incentivo aos professores, diretores, alunos e toda a comunidade escolar para que continuem em busca da melhoria na educação.

 

* Atualizada às 23h50

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