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Intercâmbio mais barato para aprender a língua espanhola

- Atualizado: 31 Janeiro 2016 | 05h 00

Imersão cultural acelera aprendizado, mas custo ainda assusta; América Latina vira alternativa para fugir dos altos preços da Europa

SÃO PAULO - Aprender um novo idioma com uma imersão na cultura e no dia a dia das pessoas de um país diferente é o sonho de muita gente. No entanto, a valorização de moedas como o dólar e o euro pode dificultar a vida de quem planeja passar alguns meses estudando fora do Brasil.

As dificuldades, porém, não significam deixar o sonhado curso para o futuro. Nem desistir dele para sempre. Para quem quer aprender espanhol, a América Latina está se revelando como uma excelente opção de destino, com preços menores por causa da oscilação cambia.

Viagem. Márcia Carletti fez curso em Buenos Aires

Viagem. Márcia Carletti fez curso em Buenos Aires

Segundo o gerente de produto da agência de intercâmbio STB, Bruno Contrera, no momento os destinos mais procurados por brasileiros são a Argentina e o Chile. “O peso chileno pode até ser ligeiramente mais caro do que o argentino, mas na ponta do lápis os valores de alimentação, transporte e diversão em Santiago e Buenos Aires têm uma diferença mínima.”

Em termos culturais, uma cidade não deve nada à outra. Cada uma tem suas particularidades e encantos. “Ambas têm diversas opções de museus, cinemas, concertos musicais, vida noturna agitada e festivais ao ar livre, além de gastronomias incríveis.”

Custo. Os preços mais baixos, a curiosidade e uma certa familiaridade com nossos vizinhos estão levando muitos brasileiros desistirem da Espanha para estudar espanhol mais perto de casa. “Além de aprender o idioma, existe a possibilidade de conhecer melhor duas culturas tão próximas e, ao mesmo tempo, tão distantes do nosso Brasil.”

Para quem está com o orçamento mais apertado, mas não quer deixar para depois o curso, este é um bom momento para aprender o idioma fora do País. A proximidade dos países latinos com o Brasil resulta em passagens aéreas mais baratas. Além disso, o custo de vida deles é mais baixo do que na Espanha, destino número um de quem quer ganhar fluência no idioma no exterior.

O pedagogo Victor de Souza Corrêa, de 27 anos, embarcou para o Chile em 2013 com o objetivo de aprender não apenas o idioma, mas também para conhecer as diferenças culturais entre os chilenos e os brasileiros. Apesar de não ter necessidade profissional de aprender espanhol, foi em busca de aprimorar um pouco do que já sabia e conhecer mais a cultura local. 

“Aproveitei as férias do trabalho e fiquei um mês. Além do curso de espanhol que fiz para melhorar a conversação, também fiz algumas coisas muito divertidas, como aulas de salsa. Escolhi uma agência pequena, mas que oferecia um valor superacessível.”

Para Corrêa, a maior vantagem de escolher um País pertinho de casa, por um período de tempo relativamente curto, foi a possibilidade de aprender com nativos e vivenciar a rotina deles. “Sem dúvida essa foi uma das melhores experiências da minha vida. Pude vivenciar o idioma o tempo todo. Além disso, eu pude conhecer muita gente, passear bastante. Na escola tradicional a gente acaba demorando mais tempo para aprender.”

7 sites gratuitos para aprender idiomas sem sair de casa
REUTERS
Francês na TV5

É preciso saber outro idioma, como inglês ou espanhol, para aproveitar as aulas gratuitas do site da emissora francesa. Site: apprendre.tv5monde.com

Segundo a diretora educacional da CI Intercâmbio, Tereza Fusaro, a imersão em outro país, fora do modelo convencional oferecidos por escolas de idiomas brasileiras, é capaz de acelerar o aprendizado. “A principal diferença em aprender uma língua fora é o destravamento da fluência. Um mês fora pode equivaler, no mínimo, seis meses de aulas aqui no Brasil, então o aluno dá um salto visível. Em outro país ele é obrigado a falar o tempo todo para conseguir se virar e fazer coisas simples, como ir a um restaurante ou a uma farmácia. Isso é muito mais difícil de conquistar sem o intercâmbio.”

Quem também decidiu desvendar a cultura dos nossos vizinhos foi a terapeuta Márcia Carletti, de 50 anos. Após passar dois anos aprendendo espanhol no Instituto Cervantes, em São Paulo, ela procurou a agência CI para passar 15 dias estudando em Buenos Aires, em 2010.

“Foi uma experiência fantástica! Além de aprender bastante, fiz muitas amizades. Saíamos todos juntos para conhecer os pontos turísticos, fazíamos festas, e trocamos muito. Você aprende e também ensina um pouquinho. Eu preparei até feijoada para os amigos e colegas que fiz por lá.”

Além do curso, o pacote escolhido por Márcia incluía hospedagem em casa de família ou hostel. Ela acabou ficando com a segunda opção, pois enxergou mais uma possibilidade de conhecer pessoas e treinar o espanhol. “Já conhecia Buenos Aires e sabia que lá havia gente do mundo todo, então eu tinha certeza de que seria uma experiência bem legal. E foi incrível. Consegui desenvolver bem meu espanhol e ganhei confiança para falar, algo que nunca tive antes.”

Fugindo do estereótipo de que apenas jovens universitários e adolescentes embarcam em um intercâmbio, a terapeuta não viu empecilhos na idade. “Não fez diferença nenhuma. Eu me enturmei superbem com o pessoal mais jovem. Saí bastante com eles. Tive a sorte de conhecer pessoas muitos especiais por lá. E minha família me deu todo o apoio para que a questão da idade não pesasse na minha decisão de ir.”

Do período passado em Buenos Aires, além do espanhol afiado Márcia traz somente boas recordações. “Com uma vivencia dessas a gente vê que o mundo não é só aquilo que a gente vive. Conhecer uma outra cultura enriquece muito. Eu aprendi mais que um idioma, aprendi a cultura do povo argentino, a dinâmica deles.”

De acordo com a agência de intercâmbio Experimento, um curso intensivo de espanhol em Buenos Aires, com duração de duas semanas e 50 aulas, custa R$ 3.937,92 (US$ 960). O valor inclui hospedagem em casa de família e café da manhã. O cálculo não inclui as passagens aéreas e nem as taxas de embarque.

Sem dificuldades. O contador Nelson Soares da Silva, de 33 anos, tinha uma necessidade a mais quando decidiu fazer aulas de espanhol no Peru com suporte da CI Intercâmbio: conseguir se comunicar com os colegas de trabalho. “Tudo me atraiu: o preço bom, o custo de vida. Além disso, tinha conhecimento de que o espanhol falado no Peru é mais neutro e bem próximo ao da Espanha.”

Atendendo clientes de toda a América Latina no dia a dia, Nelson vê uma grande evolução na sua comunicação após passar 20 dias no país andino em novembro de 2015. “Eu uso muito o espanhol. Falo todos os dias por causa do trabalho. Já havia passado uma semana na Argentina, também tinha feito aulas particulares aqui no Brasil, mas fazer o curso no Peru me permitiu praticar de uma forma mais intensa e conhecer mais da cultura deles.”

O ritmo acelerado das aulas, proporcionado pela avalanche de informações que você recebe a todo tempo ao conhecer um País, pode ser exaustivo, mas vale a pena. “Todos os dias tínhamos lições de gramática e foco na conversação, das 8h às 13h. Depois sempre aconteciam umas atividades extras, como conhecer museus, o centro histórico, os mercados, os pontos turísticos. Assim era possível praticar muito, porque eu vivia o idioma e precisava falar com as pessoas nas ruas.”

Para Silva, a experiência serviu também para perceber que ele subestimava o aprendizado da língua. “Há muitas palavras parecidas com o português, então a gente acaba achando que sabe falar. Sofria com isso no trabalho, porque pensava que estava falando uma coisa e a palavra tinha outro significado. Lá também passei por isso e senti na pele o que é não ser compreendido.”

Profissionalmente, o contador conseguiu resolver problemas e situações inconvenientes provocadas pela, até então, falta de fluência. Nelson conta que sempre usou a palavra “coger” (lê-se ‘correr’) pensando que o sentido era o mesmo observado em português. “Meu principal contato na outra empresa era uma mulher e eu vivia dizendo para ela que ia ‘coger’ com algum trabalho, por exemplo. Depois que descobri que o termo tem conotação sexual fiquei me sentindo péssimo e entendi porque muitas vezes eu não me sentia a vontade no trabalho.”

Serviço

CI Intercâmbio

Destinos: Argentina, Bolívia, 

Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, Guatemala, México, Peru, República Dominicana e Uruguai

Custo: Sob consulta 

Site: ci.com.br

Experimento Intercâmbio

Destinos: Argentina, Chile, Cuba

Colômbia, Costa Rica, México, 

Peru e Uruguai

Custo: Sob consulta

Site: experimento.org.br

STB Intercâmbio

Destinos: Argentina, Chile, 

Equador e México

Custo: Sob consulta 

Site: stb.com.br

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