Inglês é só 3º idioma mais falado do mundo

Veja histórias de pessoas que aprenderam línguas mais usadas do planeta; português é 7º em ranking

Lorena Amazonas, especial para o Estadão.edu,

21 Abril 2012 | 21h53

Comercial em bengali

Do fim de 2009 a junho de 2010, a designer Rafaela Grochewski, de 27, morou em Daca, Bangladesh, onde trabalhou como trainee numa agência de propaganda. Conversava em inglês na empresa, mas os colegas logo ensinaram palavras em bengali para que ela pudesse usar o riquixá como transporte. “Aprendi a falar ‘vire à direita’, ‘vire à esquerda’, ‘em frente’ e ‘êkane’ (‘é aqui’).” Isso a ajudou a lidar com os condutores. “Eles sempre querem cobrar mais caro.” O alfabeto bengali é diferente do nosso. “Até os números são diferentes. Só que eu sempre sabia o que estava escrito. Nunca estudei hindi, a língua oficial da Índia, mas dizem que a base dos dois idiomas é bem parecida.” Rafaela passou por situações curiosas no país. “Sou branquinha e loirinha e me paravam para tirar fotos na rua.” Ela aprendeu o idioma tão bem com os colegas que até gravou um comercial de TV. “Fazia uma francesa em visita à sogra em Bangladesh. Ela se esforça para aprender francês, mas, no final, eu mostro que sei falar bengali.”

 

Dostoiévski no original

Há quem ache Dostoiévski um escritor difícil – mesmo em português. Mas o funcionário público Daniel da Costa Oliveira, de 33 anos, quer um dia ler o autor de Crime e Castigo no original. Aluno há um ano e meio do Clube de Cultura Russa, em São Paulo, ele já consegue ler, escrever e até mesmo entender coisas que ouve em rádios do país. “Tenho um aplicativo no celular que permite baixar rádios do mundo todo, inclusive da Rússia. Eles usam o alfabeto cirílico e as construções de frases são bem diferentes, mas não é nada muito difícil.” Daniel, que já aprendeu inglês e francês, diz que escolheu o russo porque acha que as relações entre Brasil e Rússia estão se estreitando e o domínio do idioma pode ser uma vantagem no futuro. Em junho, ele vai por em prática o que aprendeu. Está com passagens compradas para São Petersburgo e Moscou. “Vou aproveitar e comprar livros em sebos. Aqui é difícil achar publicações em russo.”

 

Bom dia em mandarim

“Se me deixarem lá no meio da China consigo voltar para casa.” É assim que Leonardo Priori Silva, de 45 anos, descreve seu domínio de mandarim, que estuda há 5. “A partir do terceiro ano dá para ter alguma fluência. Falo e escrevo um pouco.” Gerente de projetos da GM América Latina, ele conversa com chineses todo dia por telefone e viaja ao país duas vezes por ano. Grande parte das conversas é em inglês, mas a familiaridade com o idioma abre portas. “Aprenda, nem que seja só a dizer ‘bom dia’.” Na primeira ida à China, ele não falava nada. Pediu ao tradutor que ensinasse algum cumprimento. “Comecei a apresentação em mandarim e me aplaudiram.” Além disso, suas viagens são para cidades pequenas. “Em Pequim e Xangai muitos falam inglês. No interior, sem falar mandarim não se consegue nem ir a um restaurante.”

 

Volta às origens

A historiadora Silvia Antibas, de 56 anos, fala francês, inglês e espanhol. Há um mês começou a estudar árabe no Centro Cultural Árabe Sírio, em São Paulo, por questões pessoais e profissionais. “Pesquiso sobre a imigração árabe e sobre o uso do idioma na música. Além disso, tenho ascendência síria.” O pai dela, nascido na Síria, falava o idioma de origem em casa. “Por mais que eu não entenda, a língua me é familiar. Acho que vou pegar com mais facilidade do que os outros alunos”, afirma. Para não ter grandes dificuldades nessa etapa inicial do curso, Silvia diz que tenta não faltar a nenhuma aula. Mesmo assim, sabe que a tarefa é complicada. “É outro alfabeto, é muito difícil.” A historiadora aconselha a quem pretende estudar árabe que pratique o idioma via internet ou até mesmo vendo canais árabes na TV. “Não desanime, essa é a minha dica.”

 

Português musical

Estudante do Mestrado Profissional em Gestão Internacional na FGV, Marc Colomber, de 22, mora há apenas dois meses em São Paulo. Volta para sua cidade natal, Barcelona, no fim de junho. “Gostaria de procurar emprego aqui, mas minha namorada ficou na Espanha. Pretendo retornar ao Brasil no ano que vem.” Embora seu curso na faculdade seja ministrado em inglês, Marc decidiu estudar português porque acha importante saber um pouco da língua. “Para o meu futuro profissional falar português pode ser uma vantagem. A Espanha tem muitas empresas com negócios aqui.” Marc é um dos 225 alunos do curso de português para estrangeiros da escola MDL Idiomas. “Para mim é muito fácil de entender, mas talvez não consiga falar tão bem”, diz. Modéstia catalã. Apesar do sotaque perceptível, Marc fala e entende bem. “Costumo brincar com minha família que no português é tudo cantado, é como uma música.”

 

OS IDIOMAS MAIS FALADOS DO MUNDO*

Em número de pessoas

 

1. Chinês - 1.213 bilhão

2. Espanhol - 329 milhões

3. Inglês - 328 milhões

4. Árabe - 221 milhões

5. Hindi - 182 milhões

6. Bengali - 181 milhões

7. Português - 178 milhões

8. Russo - 144 milhões

9. Japonês - 122 milhões

10. Alemão - 90,3 milhões

 

Fonte: ethnologue.com

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