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'Ideia é inovar e não reformular o Inep', diz novo presidente do órgão

- Atualizado: 19 Março 2016 | 07h 00

Sociólogo Luiz Roberto Liza Curi assume Inep, após tentativa de reestruturação do órgão que desgastou ex-presidente

O sociólogo Luiz Roberto Liza Curi, novo presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), disse que sua intenção é promover um processo de inovação e priorizar as atividades avaliativas do órgão. O instituto, ligado ao Ministério da Educação (MEC), é responsável pela organização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e avaliações da educação básica e superior. 

Curi assumiu o posto do professor José Francisco Soares, que deixou o cargo no início de março após dois anos à frente do instituto. Soares apresentou em dezembro do ano passado uma proposta de reestruturação do órgão, que acabou não se concretizando, mas o desgastou. No mesmo mês, foi imposto um corte de 14% dos cargos comissionados (cargos de confiança) do Inep. Para a Associação dos Servidores do Inep (Assinep), a proposta “desestruturava e comprometia” as finalidades do instituto.

Já Curi afirmou que não é necessário "fazer grandes reformulações" no instituto, mas inovações nas áreas em que for consenso com os servidores. 

Leia abaixo entrevista com Luiz Roberto Liza Curi:

O que o motivou a aceitar o convite para presidir o Inep?

O Inep é um dos principais órgãos brasileiro, é responsável por toda a avaliação da educação básica e do ensino superior. É  uma honra muito grande pra mim ter sido convidado para presidí-lo. A avaliação não é só um processo burocrático, mas deve gerar efetividade para a população no trabalho educacional, deve estimular o setor a elencar e desenvolver seus compromissos com a população, deve apoiar a transformação.

O Inep atravessa um período de descontentamento dos servidores com a proposta de reformulação do instituto. Quais as mudanças que o senhor pretende fazer no Inep?

A gente vai agora conversa, organizar e alcançar consenso, visando a qualificação do futuro. O Inep vem sendo muito bem gerido, foi muito bem organizado e ordenado. Meus antecessores fizeram um bom trabaho e agora é hora de aprofundar esse bom trabalho, de pensar no futuro, aprofundar a participação dos gestores no processo de governança da instituição.

Nós temos um corpo técnico de primeiríssima qualidade, de grande reputação. Portanto, a ideia não é gerar novidades que levem à ruptura. A ideia é provocar um processo que possa renovar e amplificar o bom trabalho que o Inep vem desenvolvendo. Temos que ter bastante adesão do corpo para que o Inep possa atender os desafios do futuro.

Nossa ideia é inovar, não é reformular. Até porque o Inep não precisa de grandes reestruturações. A ideia é promover inovação onde todos nós [servidores do Inep] enxergarmos que é necessário e que será bom para o país. O Inep não trabalha pra si, trabalha para o país. Portanto, as inovações que precisam ser feitas vão ser discutidas a partir das práticas já existentes no Inep. Não há ideia de nenhuma ruptura porque este é um órgão que já vem trabalhando muito bem.

Muitos especialistas falam da necessidade de maior autonomia e ampliação da atuação do Inep. É possível fazer isso em um cenário de recessão econômica?

O Inef foi razoalvemente bem tratado em relação a esses cortes. Eu acho que é possível a gente reordenar e priorizar as atividades avaliativas e de produção de indicadores, que se apresentem mais necessárias para trazer informações estratégicas para o processo de gestão do Plano Nacional de Educação (PNE), construção ou incremento das políticas públicas atuais.

Portanto, acho que o Inep está bem aparelhado a responder a esse desafio. Inclusive, nas áreas de pesquisa e avaliação há um entusiasmo muito grande e um espírito colaborativo entre os servidores. Com um trabalho nesse sentido, as pesquisas e indicadores podem expressar de fato as informações essenciais para uma intervenção consistente que traga benefícios para a sociedade.

Em 2015, não tivemos a Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA) por causa do contingenciamento do orçamento da Educação. Ela está garantida neste ano? E a Avaliação Nacional da Educação Infantil (Anei), que estava prevista para começar neste ano?

Tudo indica que sim, que teremos a ANA. Na mesma linha [sobre a Anei], temos muitas frentes avaliativas para fazer, nós temos que priorizar, mas tenho certeza que vamos conseguir cumprir bastante a agenda planejada. Esses detalhes de cronograma e cumprimento das atividades devo ter mais claro na segunda-feira, 21.  

 

 

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