'Hoje é um dia de celebração', diz ministro da Educação

'Hoje é um dia de celebração', diz ministro da Educação

Para Mercadante, Ideb mostra 'grandes avanços' no ensino fundamental e 'imenso desafio' no médio

José Eduardo Barella, Enviado Especial, de O Estado de S. Paulo,

14 Agosto 2012 | 17h27

BRASÍLIA - O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, admitiu que o fraco desempenho do ensino médio no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2011 representa "um imenso desafio" para o MEC, mas exaltou os "grandes avanços" obtidos nos anos iniciais do ensino fundamental e os "bons resultados" do Ideb nos anos finais do ensino fundamental - ambos dentro das metas estipuladas pelo ministério. "Hoje é um dia de celebração para a educação brasileira e precisamos destacar a importância do trabalho dos professores para atingirmos esses números", disse Mercadante, em encontro com jornalistas na sede do MEC.

Para Mercadante, a tímida melhoria do ensino médio nos números divulgados nesta terça-feira, 14, pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) - nota 3,7 no Ideb 2011, a mesma da meta estipulada pelo MEC, mas que teve um avanço de apenas 0,1 em relação ao Ideb 2009, bem inferior aos do ensino fundamental - deve ser atribuída a problemas conhecidos e pelos quais o ministério prepara ações. "Um fator claro é a estrutura curricular, muito extensa", disse. "São 13 disciplinas, que chegam a 19 se consideradas as disciplinas complementares. São muitas matérias."

Outro fator é o número elevado de estudantes do ensino médio matriculados no ensino noturno. "O rendimento já é comprometido porque muitos desses alunos trabalham e, com tantas disciplinas, eles ficam destimulados", afirmou. O ministro, porém, enumerou várias ações do MEC para reverter o quadro. A expansão do Fundeb, que não existia para o ensino médio até 2007, do Programa Nacional do Livro Didático e a criação do Bolsa-Família para alunos de 17 e 19 anos, uma medida mais recente, além do investimento na formação de professores, "apesar de ainda ser elevado o número de professores sem proeficência para lecionar no ensino médio". Ele também destacou a estratégia do MEC de apostar em escolas de tempo integral, e o aperfeicoçamento do Pronatec - "uma medida que abre caminho para dar qualidade às escolas técnicas".

De acordo com o ministro, todas essas iniciativas, além de outras adotadas para dar impulso na melhoria do ensino fundamental, vão exigir tempo para dar resultados. "Acreditamos que, a partir de 2015, as notas do ensino médio vão refletir o resultado dessas medidas", disse.

Mercadante alertou, porém, que o resultado do Ideb do ensino, deferentemente do ensino fundamental, é amostral - foram analisadas notas de 70 mil alunos. 'É muito pouco perto dos 1,3 milhão de estudantes que vão prestar o Enem", disse. "Nesse sentido, o Enem é um indicador muito mais importante para avaliarmos o ensino médio", disse. Mercadante adiantou que o MEC vai fazer um trabalho estatístico para arede em cima da snotas do Enem.

Anos iniciais

Mercadante atribuiu o avanço dos anos iniciais do ensino fundamental a um conjunto de medidas. "A cultura da avaliação da rede é a primeira delas", disse. Citou ações de fomento na formação de professores, como a Bolsa Licenciatura, a permanência na escola estimulada pelo Bolsa-Família, a entrega direta de livros didáticos e também ações estratégicas de govenros estaduasi. "Precisamos mostrar as iniciativas de Estados que trouxeram resultados e estimular ooutras redes a adotá-las", afirmou. Ele destacou, proém, o foco nas creches. "Finalmente estamos valorizando a função pedagógica da creche, que antes era vista apenas como um local onde a mãe que queria trabalhar fora deixava a criança", disse, citando os resultados do programa Brasil Carinhoso. "A criança que frequenta a creche tem mais estabilidade emocional e desenvolve conceitos como trabalho em equipe e liderança", enumerou.

Mercadante destacou tambvém o fortalecimento do trabalho de alfabetização, citando o Pacto Nacional de Alfabetização na Idade Certa. "Quando resolvermos bem o problema da alfabetização, todo o sistema vai melhorar", disse.

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