Haddad é recebido com vaias na USP

Ministro falou em evento sobre Plano Nacional da Educação; estudantes criticavam falta de estrutura das federais

Ocimara Balmant e Alexandre Gonçalves,

15 Setembro 2011 | 14h04

O ministro da Educação, Fernando Haddad, foi recebido com vaias, na tarde desta quarta-feira, 14, na Faculdade de Educação da USP, onde participou de um debate sobre o Plano Nacional de Educação (PNE) com alunos, professores e entidades sindicais. Os estudantes entoavam “Haddad, eu não me engano: 7% é coisa de tucano” e “Haddad, que porcaria, Paulo Freire choraria”.

A principal reivindicação dos participantes foi para que o governo aumente de 7% para 10% o porcentual do PIB previsto para gastos com a educação. No plano atual – em trâmite no Congresso – são previstos 7%. Um porcentual que, segundo especialistas, seria insuficiente para cumprir metas como ter 50% das escolas de educação básica em tempo integral e pagar  aos professores salário compatível ao que recebem outros profissionais com curso superior.

“Para resolver todos os problemas, mesmo os 10% são poucos. Mas garantir os 7% já será um avanço”, disse o ministro. Ele comparou a garantia dos 7% ao veto do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em 2001, a esse mesmo porcentual.

Estrutura

Os estudantes criticaram, também, a situação de abandono de algumas universidades federais, principalmente as recém-criadas, que funcionam em prédios adaptados e sem professores suficientes. “Um país que só tem 3% de sua população na universidade, não pode esperar ter talheres na mesa e papel higiênico no banheiro para que um campus comece a funcionar”, argumentou Haddad.

Segundo o ministro, a ampliação das federais tem sido um sucesso. Ele elogiou, também, a autonomia que gozam as instituições ligadas ao governo federal. “Na eleição dos reitores, o MEC sempre respeita a decisão da comunidade acadêmica e escolhe o primeiro da lista”, afirmou, em uma clara referência à escolha de João Grandino Rodas para reitor da USP. Ele era o segundo nome da lista que chegou à mesa do ex-governador José Serra. “Por problemas internos da sua universidade, você não pode impedir que a estrela dos outros brilhe”, alfinetou. 

 

 

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