Grupo acusado de fraudar Enem obteve prova antes do início da aplicação do teste

Cada candidato teria pagado de R$ 200 mil aos criminosos, afirma Polícia Civil de Minas

Flórence Couto , Especial para o Estado

26 Novembro 2014 | 23h12

BELO HORIZONTE - A quadrilha que fraudou o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) conseguiu as provas antes do início dos testes. A informação foi dada nesta quarta-feira, 26, em coletiva da Polícia Civil. A suspeita é de que as provas foram repassadas ao grupo por um membro da organização da prova em Mato Grosso. Além da fraude no Enem, a Polícia Civil de Minas Gerais investiga a atuação do grupo em fraudes de vestibulares de Medicina de faculdades particulares em Minas Gerais, São Paulo, Bahia e Espírito Santo.

As investigações apontaram que o líder da quadrilha, Áureo Ferreira, teria se inscrito no Enem. Mas com a prova em mãos, ele não precisou comparecer ao local de realização do exame. Integrantes do grupo foram até uma pousada no Mato Grosso, onde estavam as pessoas responsáveis por resolver as questões. Após responderem a prova, eles transmitiam o gabarito para os candidatos através de pontos eletrônicos. Para isso, os estudantes tinham que levar um aparelho transmissor que era escondido em um falso cartão bancário.

Cada candidato teria pagado de R$ 200 mil aos criminosos. A Polícia Civil acredita que, ao menos 20 pessoas foram beneficiadas, sendo que três já foram identificadas. Já Áureo Ferreira teria recebido cerca de R$ 3 milhões de outubro do ano passado a janeiro de 2014 só com o esquema. No último fim de semana, 33 pessoas foram detidas, sendo que 22 foram ouvidas e liberadas. Treze presos foram libertados após pagamento de fiança.

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