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Greve geral de professores, funcionários e alunos da USP tem baixa adesão

Victor Vieira - O Estado de S. Paulo

27 Maio 2014 | 12h 27

Categorias decidiram paralisar as atividades em protesto contra congelamento de salários de docentes e servidores em 2014

Atualizada às 21h02

SÃO PAULO - Apenas parte das unidades da Universidade de São Paulo (USP) parou nesta terça-feira, 27, quando estava previsto o início da greve geral de professores, funcionários e alunos. Durante o dia, várias faculdades ainda debatiam sobre a adesão ao movimento. Na maioria das escolas, as aulas seguiram o cronograma normal, mas em alguns prédios houve até piquetes e "cadeiraços".

As categorias decidiram cruzar os braços contra o congelamento de salários dos docentes e servidores neste ano, anunciado há 15 dias pelo conselho de reitores. Docentes, funcionários e alunos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) também resolveram parar.

Na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, uma das escolas com maior adesão à greve, boa parte das classes foi suspensa e vários departamentos não abriram as portas. No prédio da História e Geografia, alunos fizeram um "cadeiraço" - empilhamento de carteiras - em um corredor. "Além de professores e funcionários, nós aderimos. A greve é necessária pela atual crise financeira da USP", defendeu Fernanda Oliveira, aluna da Letras.

Em edifícios administrativos do câmpus Butantã, na zona oeste, houve paralisações e piquetes dos servidores. Também fecharam creches e restaurantes universitários, da capital e de São Carlos. O Hospital Universitário funcionou normalmente.

Divergências. Já em outras escolas, como a Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade e a Escola Politécnica, poucos resolveram parar. Para William Peixoto, estudante de Administração, a rotina praticamente não foi alterada. "Aqui a mobilização era bem maior na greve de 2013", contou. Além disso, segundo ele, os alunos têm medo de perder o semestre. Professor da Engenharia Elétrica, José Kléber Pinto também seguiu com as aulas. "Sou a favor da causa, mas não da greve. Vai só atrasar o calendário."

Segundo a USP, houve paralisação apenas de pequena parcela de servidores, sem prejuízo às atividades acadêmicas. O Sindicato dos Trabalhadores estima que mais da metade dos funcionários tenha parado nesta terça. Já a Associação de Docentes da USP não faz balanço, mas afirmou que a adesão é crescente.

Segundo a Unicamp, a greve teve adesão só em 15% das unidades, na maioria de servidores. A Unesp afirma que 13 das 34 unidades tiveram greve parcial. As entidades sindicais, porém, afirmam que a participação foi maior. Na tarde de ontem, centenas de representantes das três estaduais também participaram de audiência na Assembleia Legislativa, onde reivindicaram mais verbas para o ensino superior e reabertura da negociação de salários.