Graduações durante a madrugada ganham espaço no mercado

Com expectativa de melhoria nos salários e na carreira, alunos entram nas salas de aula antes dos nascer do sol

Marina Azaredo, Estadão.edu

25 Fevereiro 2014 | 03h00

Crédito: Werther Santana/Estadão

O dia de Tatiane Ferreira, de 29 anos, (foto) começa cedo. Às 4h20, ela acorda e meia hora depois sai de casa. Às 5h30, enquanto a maioria das pessoas ainda dorme, ela já está sentada em sua carteira na UniÍtalo, em São Paulo, onde cursa o último ano da faculdade de Marketing. Depois, aí sim como a maioria das pessoas, ela trabalha, das 9 às 18 horas. Na volta para casa, cuida do filho de 12 anos e só vai dormir por volta da meia-noite.

"É claro que eu fico com um pouquinho de sono, mas dá para levar. Já me acostumei", diz ela, um dos 3,5 mil alunos dos cursos da madrugada da UniÍtalo, cujas aulas começam às 5h45 e terminam às 8h30.

Os 13 cursos – a maioria na área de negócios, mas há opções também na área de educação e saúde – são procurados sobretudo por quem trabalha durante o dia, mas não tem disposição para estudar à noite. "Nesse horário existe um desenvolvimento maior do aluno, todos vão mais animados", diz Fábio Souza, coordenador dos cursos.

Foi pensando nesse público que a Trevisan Escola de Negócios decidiu lançar no segundo semestre deste ano um curso "pré-matutino", em que as aulas serão ministradas de segunda a quinta-feira, das 6h às 8h40, incluindo também atividades extraclasse e uma disciplina no modelo a distância.

"Ao pensar esse novo formato, tivemos duas preocupações: oferecer uma opção para o profissional que prefere estudar antes do trabalho e ter as noites livres para a família, e propiciar melhor mobilidade em um período do dia em que há menos trânsito", diz o diretor-geral da Trevisan, Fernando Trevisan.

Os cursos em horários alternativos também são procurados por quem já está no mercado de trabalho há algum tempo, mas almeja uma promoção. Estudante do último ano de Marketing também na UniÍtalo, Fabian Leme, de 40 anos, entrou na universidade justamente com esse propósito.

"Trabalho na área de compras de uma pequena rede de supermercados que está crescendo e indo para a quarta loja. Acredito que em breve eles terão um departamento de marketing e quero estar preparado para ocupar uma vaga na área", explica Leme. Ele conta ainda que, desde que começou a estudar, seu salário já teve um incremento de 25%.

Ressalva. Os cursos da madrugada ainda são vistos com alguma ressalva por parte da comunidade acadêmica, que não vê com bons olhos o estudo em horários alternativos. Mas, para Alexandre Barros, cientista político e consultor empresarial em análise de risco político, assim como há academias e supermercados 24 horas, não há razão para que instituições de ensino não possam funcionar na madrugada. "Isso permite ascensão social e progresso. A procura por esses cursos só prova que as pessoas querem estudar", analisa.

Professor do Departamento de Psicologia Social da PUC-SP, Hélio Deliberador diz que o aluno precisa prestar atenção ao seu biorritmo antes de começar um curso durante a madrugada. "Tem de ser alguém que funcione muito bem no início do dia", explica.

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