Marcelo camargo/ Agência Brasil
Marcelo camargo/ Agência Brasil

Governo libera R$ 406 mi a escolas do ensino médio em tempo integral

Previsão é de que R$ 173 mi sejam destinados para investimentos e outros R$ 233 mi para custeio

Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

17 Janeiro 2018 | 13h25

BRASÍLIA - O ministro da Educação, Mendonça Filho (DEM-PE), assinou nesta quarta-feira, 17, a liberação de R$ 406 milhões para o Programa de Fomento às Escolas de Ensino Médio em Tempo Integral (EMTI). Deste montante, a previsão é de que R$ 173 milhões sejam destinados para investimentos e outros R$ 233 milhões para custeio.

A pasta diz que o programa foi inspirado em uma experiência realizada no Estado de Pernambuco, seu reduto eleitoral. Ele deve sair da pasta até abril para concorrer a um cargo eletivo este ano.

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Segundo o ministério, os recursos serão destinados a todas as unidades da Federação. O Ministério da Educação (MEC) repassa, anualmente, R$ 2 mil por aluno para os Estados ofertarem até 500 mil vagas de ensino médio em tempo integral. O valor é calculado pelo número de alunos atendidos no ano anterior e a previsão para o fim do curso.

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A expectativa do MEC é que o número de instituições financiadas pelo ministério suba de 516, em 2017, para 967, em 2018, o que representa um aumento de 87% no universo atendido.

CANDIDATURA

Depois de participar de uma cerimônia no Palácio do Planalto, na qual o presidente Michel Temer fez um discurso em tom de despedida para o ministro da Educação, o deputado pernambucano licenciado reafirmou que vai deixar o cargo para disputar a eleição, mas disse que pretende retardar ao máximo essa decisão. “Não há nenhuma despedida”, disse, ponderando, no entanto, que precisava ser “honesto e dizer que claramente serei candidato”.

Ao reiterar que há uma data limite de 7 de abril para que ele deixe o cargo, Mendonça afirmou que apesar do prazo, não fixou data e que ainda quer “implementar um leque de ações” antes de deixar o cargo. Segundo o ministro, ele ainda não conversou com Temer sobre sua sucessão e que isso ocorrerá “num momento oportuno”. “Por enquanto em continuo focado na questão da educação, não quero misturar as bolas da minha missão no ministério com o ano eleitoral.”

Ao ser lembrado que em novembro do ano passado, o então ministro da Cidades, Bruno Araújo (PSDB-PE), anunciou a sua saída do governo horas depois de também participar de um evento no Planalto, Mendonça disse que os pernambucanos não combinaram roteiro para deixar o cargo. “O meu colega de Pernambuco, Bruno Araújo, viveu uma situação própria dele e não tem nenhum roteiro preestabelecido de ministros pernambucanos fazerem uma coisa na mesma linha ou combinado”, afirmou.  

Na ocasião, Araújo conversou com Temer pouco antes de acompanhá-lo na solenidade de entrega do Cartão Reforma. Já estava demissionário quando participou da cerimônia.

Na primeira cerimônia de 2018, retomando a estratégia de criar agenda positiva e de dar palanque a um ministro que deve ser candidato em 2018, Temer disse que Mendonça deixa um “grande exemplo” no MEC e que ele teve na pasta “um começo exemplar, um começo que vai pautar as próximas gestões num sentido de um dia, quem sabe, nós possamos dizer hoje no Brasil toda escola em tempo integral”, disse. “Acho que esse é o exemplo que o Mendonça deixa para todos aqueles que estão aqui e para todos os brasileiros que receberão essa notícia pela imprensa”, afirmou.

FUTURO

Mendonça afirmou ainda que vai “consultar seus eleitores” para definir qual cargo postulará nas eleições deste ano. O ministro está analisando concorrer a um novo mandato na Câmara ou ao governo de seu Estado.

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