Governo dá como encerrada negociação com professores grevistas

Sindicato que representa maioria das universidades não aceitou proposta de reajuste

Lígia Formenti, de O Estado de S. Paulo,

01 Agosto 2012 | 23h10

BRASÍLIA - A greve das universidades federais, iniciada há mais de dois meses, sofreu um racha nesta quarta-feira, 1.º. A Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais (Proifes), entidade que representa 6 das 57 instituições que paralisaram suas atividades, aceitou a proposta do governo e assina nesta quinta um acordo para por fim ao movimento.

 

"O fim da greve vai depender de cada sindicato, depois que assembleias locais forem realizadas", afirmou o presidente da entidade, Eduardo Rolim. Por enquanto, apenas a Federal de São Carlos, em assembleia, decidiu acatar a proposta do governo, o que pode representar um sinal de que a paralisação poderá acabar na instituição.

 

Para justificar a decisão, a Proifes apresentou uma pesquisa feita pela internet, com cerca de 5 mil professores. O acordo foi anunciado depois de uma reunião de mais de duas horas entre representantes dos Ministérios do Planejamento e da Educação com integrantes de associações que participam do movimento grevista e arrancou protestos das demais entidades.

 

"Esse acordo não tem representatividade. A greve vai continuar. Vamos ver quem tem mais força neste processo", afirmou a presidente do Sindicato Nacional dos Docentes e Instituições de Ensino Superior (Andes), Marinalva Oliveira.

 

O secretário de Relações de Trabalho do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça, deu essa etapa de negociação como encerrada. Ele afirmou que o governo deverá enviar para o Congresso, sem alterações, a proposta com novo plano de carreira para professores universitários apresentada semana passada para o movimento grevista.

 

A paralisação dos professores atinge 57 das 59 universidades federais. O movimento, que começou em maio, reivindica reajuste salarial, um plano de carreira e melhores condições de trabalho. Ao longo da greve, o governo apresentou duas propostas para um acordo. Na mais recente, semana passada, foi feita a oferta de um aumento entre 25% e 40% até 2015, um plano de carreira com 13 níveis, em vez dos 17 atuais – o que tornaria uma ascensão mais rápida e a criação de um grupo de trabalho para discutir mais detalhadamente a progressão na carreira. Nessa versão, o impacto no orçamento seria de R$ 4,18 bilhões, 7% a mais do que os R$ 3,9 bilhões previstos na primeira proposta. "O próprio governo assumiu que a essência da proposta não mudava", afirmou Marinalva.

 

Para o Andes, o formato sugerido pelo Ministério do Planejamento aumentaria ainda mais as distorções na carreira. Entre os pontos considerados inaceitáveis pelo movimento está a diferença do salário para professores. O movimento grevista defende que aqueles que trabalham 40 horas semanais devam receber o dobro do que os que têm jornada de 20 horas. Essa lógica, de acordo com movimento, no entanto, não existe.

 

Grevistas também contestam o formato proposto para progressão na carreira. O governo atrela a ascensão à titulação. Para professores, no entanto, a progressão deve ser feita de acordo com tempo de carreira. A titulação serviriam como um acréscimo, mas não como ponto condicionante. Eles afirmam que critérios devem atender às características de cada área de saber.

 

Apesar da reação do Andes, o secretário de Ensino Superior do Ministério da Educação, Amaro Lins, avalia que a greve começa agora a perder força. "Acreditamos que a partir da semana que vem algumas instituições de ensino deverão retomar as atividades, o que evitaria um grande prejuízo acadêmico",  diz. "Dialogamos, fizemos tudo o que era possível, atendemos algumas demandas consideradas justas."

 

Atualmente existem cerca de 70 mil professores universitários ativos. De acordo com o Ministério do Planejamento, cerca de 500 mil alunos estudam em universidades que estão em greve.

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