Gastos do Brasil com educação não são suficientes para atingir metas, diz Ipea

Relatório divulgado nesta quarta dá sustentação a protestos por mais investimento na área

Estadão.edu

14 Dezembro 2011 | 09h24

SÃO PAULO - Apesar da ampliação dos últimos anos, os gastos do Brasil com educação (menos de 5% do PIB) não são suficientes para ampliar o acesso ou a qualidade, metas do novo Plano Nacional de Educação (PNE). A conclusão está em estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômia Aplicada) divulgado na manhã desta quarta-feira.  "Este valor é distante daquele indispensável ao financiamento das necessidades", diz o comunicado Financiamento da educação: necessidades e possibilidades.

O estudo é divulgado no mesmo dia para o qual a Campanha Nacional pelo Direito à Educação, que coordena o movimento “PNE pra VALER!”, está convocando internautas para fazer um tuitaço, destinado a deputados federais, em favor da destinação de 10% do PIB para o ensino público no novo Plano Nacional de Educação, cujo relatório prevê 8%. Na semana passada, manifestantes começaram o 'Ocupe Brasília' com a mesma meta.

Pelos números do Ipea, houve uma ampliação real do gasto em educação realizado pelas três esferas de governo no período de 1995 a 2009, saindo de R$ 73,5 bilhões para  R$ 161,2 bilhões - um crescimento real de 119,4% em 15 anos, equivalente a 5,9% ao  ano. Também houve aumento dos gastos em comparação com o PIB, saindo de 4% para cerca de 5% no mesmo período.

Ainda asim, para alcançar as metas do PNE, será necessário buscar outras fontes de financiamento, afirma o Ipea. O estudo apresenta cinco possibilidades:  incremento no financiamento tributário; usar recursos do pré-sal; usar a folga  orçamentária proveniente da redução de despesas com juros; captar  recursos; e a melhoria e recomposição do gasto público em educação.

Para o Ipea, a política de  financiamento deveria ser precedida pelo planejamento de ações envolvendo a vasta comunidade engajada com educação.  "O número escolas disponíveis no sistema chega próximo a 180 mil. Além disso, na  educação básica estão empregados cerca de dois milhões de professores – dos quais 1,6  milhão na rede pública", diz o texto. "No ensino superior, são quase 340 mil docentes – 120 mil em  instituições públicas. Este aparato físico e humano se faz acompanhar da distribuição de  alimentos e refeições, livros e materiais didáticos, de serviços de transporte escolar e do  acesso aos meios digitais de aprendizagem e à internet para alunos da rede pública da  educação básica".

O estudo foi apresentado pelo presidente do Instituto, Marcio Pochmann, durante a abertura do seminário "Financiamento da educação pública no Plano Nacional de Educação (2011-2020)", que ocorre hoje em Brasília.

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