Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Furto de fio deixa escolas sem aula em SP e causa prejuízo de R$ 1 mi

Foram 142 ocorrências no Estado em 2017, que atingiram diretamente atividades pedagógicas e administrativas de 109 colégios

Luiz Fernando Toledo e José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

29 Setembro 2017 | 04h00

SÃO PAULO E SOROCABA - Uma onda de furto de fios em escolas tem preocupado a Secretaria Estadual da Educação (SEE) paulista. Em ofício interno, a pasta alerta para ao menos 142 ocorrências neste ano em todo o Estado, “que atingiram diretamente as atividades pedagógicas e administrativas de 109 escolas”. Desses episódios, 23 são reincidentes. O prejuízo é estimado em R$ 1 milhão. 

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Crimes desse tipo já são comuns em estações de metrô, por exemplo, que em 2016 tiveram 57 mil metros de cabo furtados - o metro pode ser vendido por R$ 100. O furto, em alguns casos, inviabiliza o funcionamento da escola por semanas. “Geralmente, não há possibilidade de resolução do problema em curtíssimo prazo, então é necessária a suspensão de aulas e demais atividades pedagógicas e administrativas”, diz o ofício.

Um caso assim chamou a atenção da comunidade no entorno da Escola Estadual Eliza Rachel Macedo de Souza, na Vila Odete, zona leste. Alunos da noite ficaram sem aula por lá ao menos do dia 5 ao dia 21. 

O estudante Tiago Castro, de 18 anos, relatou que há “abandono” do colégio e os alunos já foram assaltados até na frente da unidade. “Mesmo quem vinha estudar de manhã e de tarde não conseguia ter aula norma, pois algumas salas ficam em lugar mais escuro.”

A SEE informou que, nos últimos anos, a unidade teve cerca de R$ 1 milhão investidos em obras. Disse ainda que, atualmente, o colégio passa por outra intervenção. 

A Escola Estadual Professor Antonio Matarazzo, em Santa Bárbara d'Oeste, teve fios e cabos elétricos furtados seis vezes este ano. Numa das ocorrências, no dia 5 de junho, os alunos tiveram aulas no escuro durante três dias por falta de iluminação. Em razão da penumbra, muitos alunos ligaram os celulares para fazer leitura. O abastecimento de água também foi comprometido pelo desligamento das bombas. A direção explicou que, em razão do furto, a carga de energia teve de ser reduzida, mas foi possível realizar as atividades sem prejuízo para os alunos. Em furto anterior, no dia 30 de maio, os estudantes foram dispensados das aulas. 

A escola é recordista em furtos de cabos elétricos no interior do Estado, segundo levantamento do Centro de Acompanhamento de Obras e Serviços de Engenharia da Secretaria da Educação do Estado. Foram quatro furtos no período de janeiro a agosto, além de dois registrados após a realização da pesquisa. A Associação de Pais e Mestres (APM) e o Conselho Escolar fizeram abaixo-assinado dirigido à Polícia Militar pedindo mais policiamento ostensivo – o comando local da PM informou que o policiamento foi reforçado.

A Escola Estadual Azarias Leite, em Bauru, teve a fiação elétrica cortada e retirada por ladrões no dia 19 de janeiro. De acordo com a direção, os criminosos não conseguiram consumar o furto porque o alarme disparou e eles fugiram, deixando os cabos para trás. A Polícia Militar foi ao local e encontrou os portões da frente e da despensa arrombado, além de grande quantidade de fios, retirados do teto, que ficaram enrolados no chão.

Em outra escola estadual da cidade, a Ayrton Busch, os ladrões entraram no dia 19 de fevereiro e, além de roubar a fiação, saquearam o estabelecimento, levando três computadores, notebook, projetor, impressora, câmera fotográfica e micro-ondas. Eles destruíram móveis e câmeras de monitoramento, consumiram e espalharam alimentos que estavam na cozinha. As aulas do dia seguinte, uma segunda-feira, foram suspensas no período da manhã.

A Escola Estadual Sinhá Junqueira, em Ribeirão Preto, teve a fiação furtada três vezes este ano, em janeiro, fevereiro e maio, mas a direção informou que as atividades escolares não foram afetadas, já que o serviço de manutenção recompôs o sistema elétrico rapidamente. Já na Escola José Lima Pedreira de Freitas, também em Ribeirão, o último furto foi praticado na quadra de esportes, segundo a direção, comprometendo apenas as atividades esportivas noturnas dos alunos.

Fios e cabos elétricos da Escola Estadual Professora Jandyra Coutinho, em Suzano, foram furtados três vezes este ano. Numa das ocasiões, em junho, quase toda a fiação foi arrancada e as aulas do período noturno ficaram suspensas durante duas semanas. À tarde, os alunos eram liberados até uma hora mais cedo. O ataque aconteceu durante as aulas da noite.

Imagens postadas em redes sociais mostram os alunos com os celulares ligados na sala escura. Eles faziam um simulado para a prova de matemática quando houve o corte dos fios. Em maio, um rapaz de 19 anos foi preso, no Jardim Gardênia, depois de furtar fios de cobre da Jandyra Coutinho. Ele levava o rolo de fios para casa quando foi abordado pela Polícia Militar.

Apuração

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) recebeu o levantamento sobre furtos de cabos no último dia 4 e encaminhou à Polícia Militar, que analisa a readequação das rondas, que se concentram nos horários de entrada e saída. No início do mês, foi preso um integrante de um bando especializado nesse tipo de crime. No balanço total, disse a pasta, o número de furtos de fios caiu 10%, em relação a janeiro a agosto de 2016.

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