Fundação Victor Civita divulga vencedores do prêmio Educador Nota 10

Iniciativa destaca os melhores projetos pedagógicos do País, desenvolvidos em turmas da pré-escola ao fim do ensino fundamental

Cristiane Nascimento, especial para Estadão.edu,

08 Agosto 2012 | 09h57

A Fundação Victor Civita (FVC) divulgou nesta terça-feira, 7, a relação de projetos e professores vencedores da 15ª edição do Prêmio Educador Nota 10. Entre os cerca de 2.500 professores, coordenadores pedagógicos e diretores inscritos, foram escolhidos dez professores e um gestor escolar.

A cada ano, o projeto destaca os melhores projetos pedagógicos do País, desenvolvidos em turmas da pré-escola ao fim do ensino fundamental. A ideia é premiar docentes que tenham demonstrado práticas inovadoras ao lidar com os temas abordados em classe. “O prêmio tem como objetivo identificar, valorizar e divulgar experiências educativas de qualidade”, afirma Angela Cristina Dannemann, diretora-executiva da FVC. “Além disso, a avaliação dos projetos nos permite criar um relatório de panorama do ensino fundamental brasileiro e, com isso, saber exatamente quais são as principais falhas que temos em nosso sistema educacional", diz.

Para avaliar o projeto, uma equipe de especialistas leva em conta o diagnóstico prévio da turma, detalhando o que os estudantes já sabiam antes da introdução do assunto de determinada disciplina. O registro do desenvolvimento dos alunos no decorrer do processo e a avaliação do aprendizado também contam.

Os vencedores receberão como prêmio R$ 15 mil reais, cada um, e a escola onde o gestor atua receberá R$ 10 mil reais. Durante a cerimônia de premiação, que acontecerá em 15 de outubro, um júri indicará o profissional que será eleito o Educador do Ano de 2012, que além do título e do prêmio em dinheiro, ganhará também um curso de pós-graduação em instituição de sua escolha.

 

Educadores destaque

Antonio Sousa é professor de língua portuguesa da Escola Odilon de Souza Brilhante, localizada na zona rural de Ocara, município a 100 quilômetros de Fortaleza, Ceará. No início de 2011, ao conhecer sua turma do 8º ano, Antonio se deu conta de que muitos dos estudantes não dominavam plenamente habilidades simples como a leitura e a escrita de textos. Para reverter a situação, pensou em alternativas que, além de pedagógicas, tivessem alguma relação afetiva com a de seus alunos.

O professor pediu-lhes que, com base nos aspectos característicos do gênero 'memórias', escrevessem aos melhores professores que tiveram até então, contando exatamente porque estes tinham, de fato, lhes marcado. "Um professor como leitor final exigia dos alunos uma preocupação maior com a linguagem formal, que era exatamente o que eu queria trabalhar com eles", conta o professor.

A atividade, que percorreu todo o ano de 2011, foi intercalada com leituras de textos e de filmes do gênero, visitas à biblioteca, discussões sobre a temática e também uma série de reescritas. Ao final do ano letivo, os professores foram convidados para uma cerimônia na qual os alunos puderam ler seus textos em voz alta, não só para os docentes homenageados, mas também para os demais colegas. "A evolução dos alunos durante todo este período é evidente", diz Antonio. "Muitos dos que sequer visitavam a biblioteca, hoje passaram a ter gosto pela leitura e pela escrita."

Durante o dia, o colégio Santa Cruz, de São Paulo, é tomado por crianças e adolescentes de classe média alta da capital paulista. À noite, as carteiras da escola são ocupadas por jovens e adultos de baixa renda. Felipe Bandoni de Oliveira é professor de Ciências destes alunos, muitos dos quais migrantes que vieram a São Paulo em busca de melhores condições de vida. Na sua turma, possui desde jovens de 17 anos, até senhores que já passaram dos 60.

Antes de passar o conteúdo programático sobre astronomia a seus alunos, Felipe pediu que eles relatassem as histórias sobre a lua que ouviram ao longo da vida. Não faltaram relatos sobre caipora, lobisomem, São Jorge e a influência que o astro tinha nas plantações, na pesca e, inclusive, nos trabalhos de parto. Em um momento seguinte, o professor apresentou-lhes evidências científicas, algumas das quais colocavam em jogo algumas das convicções desses alunos.

Para lhes dizer que a virada da lua não interferia nos partos, por exemplo, Felipe mostou-lhes pesquisas que mostravam que o número de nascimentos era praticamente o mesmo em todos os dias. O relevo do satélite, ao invés de marcado pela figura de São Jorge, decorria da colisão de meteoros  com a sua superfície. "Apresentar a versão cinetífica era o meu papel enquanto o professor, mas tive sempre o cuidado de colocá-la como mais uma das explicações existentes sobre um fenômeno, por exemplo, e nunca como a certa e definitiva", diz Felipe.

Após pouco mais de um mês de trabalho, o conteúdo foi encerrado com uma observação da lua com um telescópio e, posteriormente, com uma avaliação, na qual Felipe pedia que seus alunos comentassem algumas afirmações. Em um dos casos, um aluno contestou a máxima de que as marcas do relevo do satélite são prova da existência do santo guerreiro, mas concordou com a afirmativa sobre a influência da lua nos partos. Segundo o professor, o estudante respondeu que a tese era verdadeira, pois seus filhos gêmeos haviam nascido justamente em uma mudança de lua. "O aluno tinha consciência de que aquela não era uma resposta científica, mas para ele, a explicação "correta" não era suficiente, não condizia com a experiência que tinha vivido", diz Felipe. O professor não puniu o aluno com nota, mas indicou qual seria a resposta ideal. "Respeitar o conhecimento que esses alunos já traziam foi fundamental para que eles se interessassem pelo tema", diz.

Confira abaixo a lista com todos os projetos vencedores:

 

Alessandra Silva de Souza

Escola: EMEF Des. Manoel Carlos de Figueiredo Ferraz

Disciplina: Geografia

Nome do projeto: Cidadania e Criticidade – Projeto jornal

São Paulo – SP

 

Cristina Mara da Silva Corrêa

Escola: Creche Pré-escola Central SAS/USP

Disciplina: Educação Infantil

Nome do projeto: Da solidez à fluidez

São Paulo – SP

 

Felipe Bandoni de Oliveira

Escola: Colégio Santa Cruz

Disciplina: Ciências

Nome do projeto: Lua de São Jorge

São Paulo – SP

 

Vera Cristina Terrabuio Lucato

Escola: E.M.E.F.E.I. Oscar Novakoski

Disciplina: Artes

Nome do projeto: Revelando riquezas

São Paulo – Dois Córregos

 

Alessandro de Oliveira Branco

Escola: Escola Municipal José Carlos Pimenta

Disciplina: Artes

Nome do projeto: Cartola na cartola

Goiás - Goiânia

 

Antonio Oziêlton de Brito Sousa

Escola: Escola de Ensino Fundamental Odilon de Souza Brilhante

Disciplina: Língua Portuguesa Fundamental II

Nome do projeto: Leituras Marcantes, Escrita Constante

Ceará - Ocara

 

Cesar Luis Theis

Escola: EEB Dr. Theodureto Carlos de Faria Souto

Disciplina: História

Nome do projeto: Memórias da Fronteira

Santa Catarina – Dionísio Cerqueira

Jorge Cesar Barboza Coelho

Escola: Escola Municipal de Ensino Fundamental Borges de Medeiros

Disciplina: Língua Portuguesa Fundamental II

Nome do projeto: CBB Web TV

Rio Grande do Sul – Campo Bom

 

Luciane Fernandes Ribeiro

Escola: E.M.E.F Prof. Raimundinho

Disciplina: Matemática Fundamental I

Nome do projeto: Cálculo Mental: superações e desafios...

Pará – Marabá

 

Valkiria Grun Karnopp

Escola: Escola Municipal Governador Pedro Ivo Campos

Disciplina: Matemática Fundamental II

Nome do projeto: Joinville e a matemática

Santa Catarina – Joinville

 

Gestor Nota 10

 

Débora Del Bianco Barbosa Sacilotto

Escola: EMEF Francisco Cardona

Segmento: Ensino Fundamental I

Nome do projeto: Minha escola, minha vida

São Paulo – Artur Nogueira

 

 

 

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