Funcionários da USP em greve reduzem pedido de reajuste para 5%

A proposta significa um recuo do Sintusp na principal reivindicação que motivou a greve: a isonomia salarial

Luiz Guilherme Gerbelli, Jornal da Tarde

17 Junho 2010 | 18h21

Servidores e estudantes fecharam a entrada do portão principal da USP na manhã de quinta-feira

 

 

O Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) reduziu o reajuste salarial pedido à universidade de 5,96% para 5%. O valor cobrado é retroativo a fevereiro. A decisão foi tomada na quinta-feira durante assembleia. O antigo valor era almejado pelos funcionários da instituição com o objetivo de igualar o aumento concedido este ano aos professores.

 

“Essa mudança não pode ser considerada um recuo”, disse Magno de Carvalho, diretor do Sintusp. “O nosso problema é que a greve está fraca na Unicamp. A paralisação foi mais forte na USP e na Unesp.”

 

O reitor da Unicamp, Fernando Ferreira Costa, é também presidente do Conselho de Reitores da Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp). É o grupo que decide a política de aumento salarial nas universidades públicas.

 

Segundo Carvalho, a busca pela isonomia de salários entre professores e funcionários continuará a fazer parte da pauta de reivindicação do sindicato nas próximas manifestações da categoria.

 

Os funcionários da USP continuam com a paralisação pelo menos até a próxima segunda-feira, quando haverá uma reunião com a direção da universidade. O encontro será realizado em frente ao prédio da Fuvest e também deverá ter a participação de funcionários da Unesp.

 

A USP tem no seu quadro 15 mil trabalhadores. Para o sindicato, 60% deles estão de braços cruzados, mas a universidade garante que apenas 5% dos servidores aderiram à paralisação.

 

'Trancaço'

 

Na quinta-feira, por volta das 6h30, cerca de 300 grevistas fecharam o Portão 1 da universidade, impedindo a entrada de estudantes e funcionários. O movimento ficou conhecido como “trancaço”. Houve um princípio de confusão. “Ninguém foi agredido”, garantiu Carvalho. O portão só foi liberado às 10h. De lá, os grevistas caminharam por 40 minutos até a reitoria, que está ocupada desde o dia 8.

 

A ação dos grevistas acabou complicando o trânsito em toda a região da Rua Afrânio Peixoto, no Butantã. Entre as pontes do Jaguaré e Cidade Universitária, da Marginal Pinheiros, o índice de lentidão medido pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) foi de 2,7 quilômetros às 7h.

 

Proposta

 

A paralisação começou no dia 5 de maio. Apesar de reduzirem o pedido de reajuste, os sindicalistas mantiveram a exigência de que os salários dos funcionários em greve deixe de ser suspenso.

 

A USP informou que mantém a proposta de acordo apresentada no dia 2. Na ocasião, a direção se comprometeu a voltar a pagar o salário dos grevistas em até quatro dias úteis depois da desocupação da reitoria.

 

De acordo com a assessoria da USP, a greve prejudica alguns serviços básicos do câmpus, como refeitório e transporte. Em algumas unidades, laboratórios e bibliotecas estão inacessíveis.

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