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Formação de professor deve mudar para melhorar qualidade do ensino

Renata Cafardo

08 Junho 2009 | 21h 02

Em debate, Haddad defende reformular currículos de Pedagogia; Paulo Renato aposta em cursos de aprimoramento

Dois dos maiores nomes da educação brasileira dos últimos 15 anos, o atual ministro Fernando Haddad e o ex-ocupante da pasta e hoje secretário estadual Paulo Renato Souza acreditam que os cursos de formação de professores precisam mudar para que o ensino no País melhore. Eles participaram ontem de um debate sobre o tema, promovido pelo Grupo Estado.   Haddad e Paulo Renato, no entanto, mostraram visões diferentes de como as mudanças podem ocorrer. "O Estado tem de assumir mais as prerrogativas de formação. As universidades estaduais e federais podem e devem formar mais e melhores professores", disse o ministro. Ele defendeu a reformulação dos currículos de cursos de Pedagogia e Licenciatura.   Já Paulo Renato se disse mais cético quanto à possibilidade de promover tais reformas. Para o secretário da Educação de São Paulo, cursos de aprimoramento oferecidos depois da formação universitária podem ajudar a melhorar a preparação do professor. O Estado criou no mês passado a Escola de Formação de Professores, que vai oferecer cursos durante quatro meses para docentes aprovados em concursos."A questão central é que os cursos para formar professores não dão um instrumental adequado para trabalho em sala de aula", diz Paulo Renato.   Cerca de 250 pessoas – várias delas docentes – participaram do evento, que esgotou a capacidade do auditório. Elas se inscreveram pela internet e puderam fazer perguntas por escrito aos dois convidados. Na opinião do ministro, a formação dos docentes será o "cerne da educação brasileira na próxima década". "O tema constitui o maior desafio para a melhoria da qualidade da educação do nosso País", concordou Paulo Renato.   Ministro e secretário também disseram que o aumento da quantidade de professores com curso superior no País não ajudou a melhorar a qualidade do ensino. Dados do primeiro censo completo do professor, divulgado no mês passado, mostram que 70% do 1,8 milhão de docentes da educação básica têm formação universitária.   "As faculdades de educação têm uma tradição de formar especialistas, se discute bastante teoria e história da educação, mas os conteúdos das disciplinas não é visto", afirmou o secretário. Para Paulo Renato, é "muito difícil" mudar essa vocação das instituições.   Veja também:    Censo: retrato do professor brasileiro    Confira a íntegra do debate com Paulo Renato e Fernando Haddad na TV Estadão Algo semelhante foi tentado em sua gestão no Ministério da Educação (1995-2002). A Lei de Diretrizes e Bases (LDB) previa que fossem criados institutos superiores de educação apenas para formar professores, tirando essa atribuição das faculdades de Pedagogia e Licenciatura. "Foi uma questão muito debatida entre ministério e academia. Confesso que fui derrotado na minha tentativa de que esse modelo vingasse e acabamos aprovando uma resolução que deixou a questão em aberto."   O ministro da Educação acredita que uma das maneiras de influenciar mudanças nos currículos seria a criação de uma prova nacional de admissão de professores, que já está sendo estudada no MEC. O exame cobraria didáticas e conteúdos considerados essenciais pelo governo federal que, como consequência, teriam de ser trabalhados nos cursos. "O Brasil responde muito bem à indução."   O MEC também criou recentemente institutos federais que têm a obrigatoriedade de oferecer cursos para professores nas áreas de física, química, matemática e biologia. Além da má formação, o País enfrenta atualmente um déficit aproximado de 200 mil profissionais, principalmente nessas quatro áreas.   Salários A falta de incentivos para a carreira de professores, principalmente financeiros, também foi discutida no debate. O ministro Fernando Haddad apresentou dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) que comparam os salários dos professores ao restante dos profissionais do País com formação universitária. Em 2003, os profissionais com curso superior completo ou incompleto ganhavam 86% a mais que docentes brasileiros. Em 2007, essa diferença caiu para 61%. A média salarial dos professores é de R$ 1,3 mil. A comparação não levou em conta o novo piso salarial de professores no País (mais informações aqui).   "Se mantivermos esse passo, em algum lugar no tempo entre 2014 e 2015 esses valores estarão equiparados", acredita. "A carreira do professor não pode estar em desvantagem em relação às demais. Vamos perder jovens vocacionados por causa de uma questão econômica."   Respondendo a uma pergunta da plateia que mencionou que os cursos de formação de professores teriam "limitações intransponíveis", o ministro se disse otimista com relação a mudanças. "Os cursos de Pedagogia têm limitações transponíveis. Eu encaro com otimismo que as universidades vão se adequar a uma nova filosofia."

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