Federal de Santa Maria vai aderir à greve nacional de professores

A partir de segunda-feira serão pelo menos 42 universidades públicas sem aulas

Estadão.edu, com Agência Brasil,

24 Maio 2012 | 12h39

Os professores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul, decidiram aderir à greve nacional, iniciada há uma semana, a partir da próxima segunda-feira, 28. Com ela, serão 42 universidades federais paralisadas, além de dois institutos e um centro federal de educação tecnológica. Os docentes cobram melhores condições de trabalho, aumento salarial e reestruturação do plano de carreira. Pelo menos 500 mil estudantes sem aulas.

 

Ontem, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, disse não ver motivos para a greve. Segundo ele, há prazo para que as negociações sobre a reestruturação da carreira, principal reivindicação dos docentes, seja concluída a tempo de ser incluída no Orçamento de 2013.

 

“Não vejo o porque de uma greve neste momento, neste cenário em que o governo demonstra todo interesse em cumprir o acordo e há tempo para negociar”, disse. O acordo firmado entre o governo e a categoria no ano passado previa que as definições sobre o novo plano de carreira fossem concluídas até março. Segundo o ministro, há um “atraso político”, mas não um atraso legal.

 

No ano passado o governo fechou um acordo com a categoria que previa um aumento de 4% a partir de março, incorporação de gratificações e reestruturação do plano de carreira para 2013. Uma medida provisória publicada na semana passada garantiu o aumento retroativo a março e a incorporação das gratificações, segundo o ministro. A principal pendência ainda é a revisão do plano, mas Mercadante argumenta que há prazo legal para que essa negociação seja concluída, já que o orçamento de 2013, que irá custear as mudanças, só será fechado em 31 de agosto.

 

A presidente do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), Marina Barbosa, afirmou que o fato de o ministro ter feito o apelo demonstra a força da greve. Para ela, não houve nenhum fato novo que alterasse o curso da paralisação.

 

“O debate está acontecendo desde agosto de 2010. O dia 31 de março era o prazo definitivo para o governo apresentar a reestruturação da carreira, fechado a partir de um acordo emergencial feito em agosto de 2011. O processo corrido não justifica o atraso que ocorreu, nem a posição irredutível que o governo tem mantido na mesa de negociação. Não apresentaram nenhuma proposta.”

 

Os professores ganharam aumento de 4% e incorporação de algumas gratificações retroativas a março. Porém, Marina diz que a promessa de reestruturação da carreira não foi cumprida.

 

“Estamos há praticamente dois anos negociando e não há predisposição do governo em movimentar suas peças no tabuleiro. E as condições de trabalho estão precarizadas, com muita crise ocorrida no processo de expansão das universidades”, disse.

 

Segundo o Andes, a paralisação continua até que o governo apresente uma proposta para ser levada às assembleias para análise da categoria.

 

Instituições em greve

 

1. Universidade Federal do Amazonas

2. Universidade Federal de Roraima

3. Universidade Federal Rural do Amazonas

4. Universidade Federal do Pará

5. Universidade Federal do Oeste do Pará

6. Universidade Federal do Amapá

7. Universidade Federal do Maranhão

8. Universidade Federal do Piauí

9. Universidade Federal do Semi-Árido

10. Universidade Federal da Paraíba

11. Universidade Federal de Campina Grande

12. Universidade Federal Rural de Pernambuco

13. Universidade Federal de Alagoas

14. Universidade Federal de Sergipe

15. Universidade Federal do Triângulo Mineiro

16. Universidade Federal de Uberlândia

17. Universidade Federal de Viçosa

18. Universidade Federal de Lavras

19. Universidade Federal de Ouro Preto

20. Universidade Federal de São João Del-Rei

21. Universidade Federal do Espírito Santo

22. Universidade Federal do Paraná

23. Universidade Federal do Rio Grande

24. Universidade Federal do Mato Grosso

25. Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro

26. Universidade Federal dos Vales Jequitinhonha e Mucuri

27. Universidade Tecnológica Federal do Paraná

28. Instituto Federal do Piauí

29. Centro Federal de Educação Tecnológica de MG

30. Universidade Federal do Recôncavo da Bahia

31. Universidade do Vale do São Francisco

32. Universidade Federal de Goiás (Catalão)

33. Universidade Federal de Pernambuco

34. Universidade Federal do Acre

35. Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro

36. Universidade Federal do Rondônia

37. Universidade de Brasília

38. Universidade Federal de Juiz de Fora

39. Instituto Federal do Sudeste de Minas Gerais

40. Universidade Federal do Pampa

41. Universidade Federal de Alfenas

42. Universidade Federal Fluminense

43. Universidade Federal do Rio de Janeiro

44. Universidade Federal de São Paulo

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