Expectativa salarial de jovens brasileiros cresce 4% e chega a R$ 3.740

Homens querem ganhar, por mês, R$ 720 mais que mulheres; pesquisa ouviu 12 mil universitários

Carlos Lordelo, do Estadão.edu,

24 Agosto 2012 | 20h35

Os universitários brasileiros esperam iniciar a carreira com um salário de R$ 3.740, aponta pesquisa com 12 mil estudantes feita no primeiro semestre deste ano pela consultoria Universum. O valor é quase 4,5% superior ao apurado no ano passado. Homens e mulheres, no entanto, têm expectativas diferentes. Em média, eles querem ganhar, por mês, R$ 720 mais que elas - uma diferença de cerca de 17%. Antes, era de 22%.

 

“Historicamente sempre houve uma diferença de expectativas salariais entre homens e mulheres. Contudo, o que ainda é surpreendente é que parte desta diferença começa logo pelas expectativas iniciais. Mais tem de ser feito ao nível das empresas para garantir igualdade entre os sexos”, diz o responsável pela Universum no Brasil, João Araújo.

 

Para Sofia Esteves, presidente do Grupo DMRH, consultoria de serviços de Recursos Humanos, a pesquisa indica que os homens são mais ambiciosos que as mulheres e também a "falta de informação" entre as universitárias. "No início da carreira não existe esta distinção salarial", afirma. "Isso pode mostrar que o salário não é o ponto mais relevante para elas. Talvez, primeiro, as estudantes visem a trabalhar numa empresa que as valorize."

 

A executiva lembra que o aumento de 4% nas expectativas salariais é menor que a inflação registrada em 2011, de 6,5%. Segundo Sofia, o valor médio pago pelas empresas a recém-contratados é, em média, de R$ 2.800. "R$ 3.740 é um salário viável para companhias de grande porte."

 

Tamanho e imagem

 

Outro recorte nos dados do levantamento mostra que os homens prefeririam trabalhar em empresas com mais de mil funcionários, enquanto as mulheres gostariam de iniciar a carreira em companhias com 500 a 1.000 empregados.

 

"Ao trabalhar numa empresa menor, o recém-formado tem oportunidade de conhecer o negócio mais profundamente, aprender mais e estar mais perto dos gestores", diz Sofia, da DMRH. "As mulheres buscam mais estabilidade."

 

As diferenças entre os sexos são ainda mais perceptíveis no que se refere à imagem que os universitários têm de um empregador dos sonhos. Os homens aspiram a trabalhar em empresas que promovam a inovação, ofereçam um trabalho desafiante e tenham um salário-base competitivo. Já as mulheres procuram companhias que estejam comprometidas com a sustentabilidade ambiental, ofereçam estabilidade no emprego e sejam uma boa referência para sua carreira futura.

 

Para Sofia, o perfil das empresas cobiçadas pelos homens é de "grandíssimo porte". "Eles pensam na possibilidade de ascender rápido na carreira", opina.

 

"Parece claro que os homens estão mais focados no presente, procurando um ambiente competitivo e um trabalho bem remunerado, enquanto as mulheres pensam mais no futuro, quer ao nível da sua carreira pessoal, mas também da sustentabilidade ambiental", concluiu João Araújo, da Universum.

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