Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

'Exames de inverno têm um público até mais experiente', diz coordenadora de cursinho

Vestibular de meio de ano não significa chance maior de aprovação, segundo Vera Lúcia Antunes, do Objetivo

Entrevista com

Vera Lúcia Antunes, coordenadora do curso Objetivo

Ocimara Balmant, Especial para o Estado

16 Maio 2017 | 05h00

SÃO PAULO - É ilusão achar que os vestibulares de inverno são mais fáceis de conseguir aprovação. A opinião é de Vera Lúcia Antunes, coordenadora do curso Objetivo. As oportunidades no meio do ano podem até atrair menos candidatos, mas também há uma quantidade menor de provas e com vagas em um número reduzido de cursos, principalmente nas universidades públicas. Com quase meia década de atuação - 48 anos na direção pedagógica da instituição -, a professora dá dicas para se sair bem no exame: do conteúdo que “está na moda neste ano” a macetes para não perder tempo na hora da prova.

Os vestibulares de inverno têm diferença, quanto ao conteúdo, em relação aos realizados no fim de ano? São mais fáceis?

Não. Principalmente nas públicas, o programa é o mesmo, com os mesmos itens e o mesmo grau de dificuldade. A diferença fica por conta do número de cursos e de vagas oferecidos. Aliás, ouso dizer que os exames de inverno têm um público até mais experiente: gente que já terminou o ensino médio, prestou vários vestibulares no fim do ano anterior e não passou. De forma que, definitivamente, a prova não é fácil como muita gente pensa.

Quem está no terceiro ano tem repertório para a prova?

Sim, mesmo que falte o conteúdo de um semestre, ele já tem muito conhecimento acumulado e domina os elementos básicos de cada disciplina. Sobre o que ainda está por vir no ano letivo, vai depender também da sorte do aluno de a banca cobrar o que ele já aprendeu. Em Geografia, por exemplo, uma escola pode começar a matéria do terceiro ano em Europa e outra em América Latina. Em Matemática, uma pode dar mais enfoque a trigonometria e outra, a geometria. O que o vestibular vai cobrar, nunca se sabe. Uma boa dica é dominar os “temas da moda”, que neste ano são a Venezuela, o Estado Islâmico e a Coreia do Norte, entre outros.

Então vale até como um grande teste, não é?

Exato. Treinar é uma coisa necessária para, principalmente, aprender a calcular tempo. O que parece simples, mas não é. É preciso, por exemplo, saber que questão difícil a gente pula. Não tenho nota maior só porque acertei a mais difícil. Se todas as questões têm o mesmo valor, tenho de ir até o fim da prova e voltar só naquelas que pulei. E por que voltar só naquelas que pulei? Porque, se volto em todas, já estou cansado e leio errado o que tinha raciocinado com calma e acabo mudando a alternativa. Quando o aluno muda a resposta, sempre muda para pior, nunca para melhor.

Poucas universidades públicas fazem vestibular no meio do ano. No Estado de São Paulo, só a Unesp tem o exame e apenas para nove cursos. O vestibulando não sofre por ter uma única chance anual de ser aprovado?

Isso ocorre um pouco por conta de muitos cursos serem anuais e também pelo custo de realização do vestibular. O ideal é se fosse como o SAT (um dos principais exames para ingresso em universidades americanas), em que o aluno usa sua nota para concorrer em várias universidades e durante um tempo estendido. Não tem cabimento sobrar vaga em universidade, mesmo que o aluno não tenha prestado prova para aquela instituição.

O Enem virou o grande vestibular do País. Quem se prepara para ele já está pronto para os outros exames?

Sim. Hoje, quem estuda para o Enem se prepara para qualquer faculdade do País e até de fora dele. No início, quando surgiu, de fato o Enem era uma prova mais fácil, sem programa. Hoje, ele tem um conteúdo programático que é até maior do que o de qualquer instituição. E as últimas edições, como a gente sabe, foram tão difíceis como um vestibular da Fuvest.

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