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Ex-presidente do TJ é o novo secretário da Educação de SP

José Renato Nalini assume pasta deixada por Herman Voorwald, que saiu no dia da suspensão do projeto de reorganização escolar

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Alberto Bombig, Felipe Resk e Isabela Palhares,
O Estado de S. Paulo

22 Janeiro 2016 | 11h11
Atualizado 22 Janeiro 2016 | 12h17

SÃO PAULO - Após mais 40 dias sem um titular na Secretaria Estadual de Educação, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), anunciou nesta sexta-feira, 22, o ex-presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), José Renato Nalini, de 70 anos, para assumir a pasta. O desembargador era um dos principais cotados para o posto desde a saída de Herman Voorwald, em dezembro.

A negociação que levou o ex-presidente do TJ-SP a assumir a Secretaria de Educação teve como interlocutores o secretário estadual da Segurança Pública, Alexandre de Moraes, considerado um dos principais conselheiros do governador, e o secretário municipal da Educação, Gabriel Chalita, que apesar de hoje compor o quadro do prefeito Fernando Haddad (PT) já integrou a equipe de Alckmin, com quem tem livre trânsito. O deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) também apoiou a indicação.

O anúncio foi feito por Alckmin na manhã desta sexta-feira, 22, em Santo Anastácio, na região de Presidente Prudente. Alckmin definiu Nalini como sendo um "homem com espírito público, extremamente interessados nas questões da educação. Um homem do diálogo, da cultura, da Academia Paulista de Letras". "Temos a absoluta confiança de que vamos dar um grande passo para melhorar a qualidade da escola pública de São Paulo em benefício dos nossos alunos com o doutor Nalini", disse o governador. 

Crise. Na Secretaria de Educação, Nalini terá como maior desafio superar a crise provocada pela proposta de reorganização da rede estadual de ensino, que previa o fechamento de 93 escolas e a transformação de 754 unidades em ciclos únicos. A reação negativa de alunos e professores à proposta terminou com 196 escolas estaduais ocupadas e diversos protestos nas ruas de várias cidades do Estado.

A resistência fez com que Alckmin recuasse da ideia e aceitasse no dia seguinte a demissão de Voorwald. A avaliação do governo foi a de que Voorwald não soube conduzir a discussão em torno do projeto, que acabou se transformando no maior desgate político do governador em 2015.

O nome do desembargador foi apresentado a Alckmin como "gestor experiente", de diálogo e respeitado por acadêmicos e intelectuais. Em meio à crise da reorganização da rede escolar, uma das principais críticas recebidas pelo Palácio dos Bandeirantes foi justamente a falta de diálogo com os alunos.

No comando da pasta, Nalini terá inúmeros desafios já que inicia a gestão com projetos inconclusos, como a reorganização escolar, mudança do currículo do ensino médio, o plano salarial dos professores e a rede em período integral. A rede paulista é a maior do País, com 3,8 milhões de alunos e 5 mil escolas.

Nalini construiu carreira no Judiciário. Ele é formado em Direito na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas, atuou no Ministério Público de São Paulo e foi presidente do TJ-SP no biênio 2014/2015, onde tinha opção de continuar trabalhando por mais cinco anos. Também foi presidente da Academia Paulista de Letras (APL). Quando jovem, assumiu interinamente a secretaria de Educação de Jundiaí, entre 1969 e 1973.

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