Estudo americano vincula universidade e curso à renda de recém-formados

Pelo menos no Tennessee, quem detém título conferido por escolas comunitárias ou técnicas ganha mais ao ingressar no mercado de trabalho do que diplomado no bacharelado clássico

Carlos Orsi, da Revista Ensino Superior da Unicamp,

25 Fevereiro 2013 | 16h40

Um estudo detalhado, publicado em setembro de 2012, avaliou a perspectiva de renda dos recém-formados nas instituições de educação superior baseadas do Estado do Tennessee (EUA), e concluiu que, em média, o portador de um título de "associate" (conferido por escolas comunitárias ou técnicas, que muitas vezes oferecem cursos de curta duração) ganha mais, ao ingressar no mercado de trabalho, que o portador de um bacharelado clássico.

O trabalho, realizado pela College Measures, uma parceria entre o centro de pesquisas em Psicologia e Ciências Sociais American Institutes of Research (AIR) e a consultoria Matrix Knowledge, foi saudado pela riqueza dos dados e por permitir associar os ganhos econômicos dos formados a instituições e cursos específicos. Mas também foi criticado por, segundo seus detratores, aplicar à educação superior uma métrica baseada em sucesso financeiro individual.

"O relatório expõe um debate candente", escreve, em sua avaliação do trabalho, o jornal Chronicle of Higher Education. "Se a faculdade serve prioritariamente ao ganho financeiro pessoal ou ao bem público. Se informar os estudantes sobre os custos e benefícios de suas escolhas de faculdade não cimentará, ainda mais, um espírito consumista."

Mas, ao mesmo tempo em que levanta a perspectiva crítica, a reportagem do Chronicle menciona estudo realizado pela Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) que mostra que questões financeiras e de emprego são a principal preocupação de 86% dos calouros universitários. Tal motivação prevalece desde 2006. Antes dessa data, o principal motivo para um jovem matricular-se num curso superior era "aprender mais sobre coisas interessantes".

 

O vice-presidente do AIR e coautor do relatório, Mark Schneider, disse que a informação oferecida pelo trabalho pioneiro realizado no Tennessee é importante. "Não quero estudantes fazendo empréstimos de US$ 100 mil por um diploma que lhes renderá US$ 25 mil", declarou ele ao Chronicle. Schneider afirmou também que o relatório não deve ser usado para punir instituições individuais, mas que seus resultados podem alimentar processos de avaliação de qualidade.

 

Outro ponto para o qual críticos do trabalho pedem atenção é seu foco exclusivo nos ganhos dos recém-formados. Algumas carreiras, principalmente nas Humanidades, embora ofereçam baixa perspectiva de remuneração imediatamente após a formatura, tendem a pagar consideravelmente melhor os profissionais mais experientes, argumentam.

Entre as principais conclusões do trabalho estão as de que portadores de títulos de bacharelado nas áreas de Saúde, Administração e Engenharia ganham, em média, mais do que bacharéis em Artes ou Humanidades; e que o ganho anual médio de um recém-formado em curso técnico ou comunitário é US$ 1 mil maior que o de um bacharel de curso superior tradicional.

 

O relatório, The Earning Power of Graduates From Tennessee's Colleges and Universities, detectou ainda grandes disparidades entre instituições que oferecem cursos, em tese, equivalentes, com diferenças de ganhos de até US$ 14 mil na renda anual entre recém-formados na área de saúde de duas universidades públicas.

 

O estudo constata, no entanto, que a posse de um título acadêmico de terceiro grau, seja de curso comunitário ou bacharelado, aumenta a perspectiva de renda e de emprego no Estado do Tennessee, mesmo em tempos de crise econômica, na comparação com pessoas que contam apenas com um diploma de ensino médio.

 

Além do relatório sobre o Tennessee publicado em setembro, a College Measures também vem coletando dados sobre outros Estados americanos. Em seu website (http://collegemeasures.org/) há resultados da chamada Métrica de Sucesso Econômico (ESM, na sigla em inglês) também para Arkansas e Virginia, com a promessa de divulgação, em breve, de informações sobre Colorado, Nevada e Texas.

Assim como o relatório sobre o Tennessee, o levantamento sobre Virginia revela que os formandos em cursos técnicos ou profissionalizantes de curta duração ganham mais que os recém-formados em bacharelados acadêmicos – no caso, a diferença de renda no primeiro ano no mercado de trabalho foi de US$ 2 mil.

Fonte: http://www.revistaensinosuperior.gr.unicamp.br/notas/nos-eua-estudo-pioneiro-vincula-universidade-e-curso-a-renda-de-recem-formados

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