Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Estudantes passam a noite no plenário da Assembleia Legislativa

Grupo quer a instauração de uma CPI para investigar denúncias sobre merenda; mais duas Etecs foram ocupadas nesta quarta

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S.Paulo

04 Maio 2016 | 08h55

SÃO PAULO - Estudantes dos ensino médio e técnico da rede estadual que ocuparam na tarde desta terça-feira, 3, o plenário da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), no Ibirapuera, zona sul da capital paulista, passaram a noite no local e seguem o ato na manhã desta quarta-feira, 4. O grupo formado por cerca de 70 alunos protesta a favor da instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar denúncias de desvio de recursos da merenda. 

Todas as entradas da Casa são monitoradas pela Polícia Militar. Funcionários relataram que mesas e computadores foram quebrados. Os estudantes negaram que tenham sido eles os autores do vandalismo. A assessoria da Alesp informou que o presidente da Alesp, Fernando Capez (PSDB), vai protocolar na tarde desta quarta-feira um pedido de reintegração de posse do plenário.

O tucano é acusado de participar da máfia da merenda investigada pela Operação Alba Branca, comandada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público Estadual (MPE).

Capez, suspeito de receber propina de cooperativas que fornecem merenda para o Estado, não estava no plenário no momento da invasão dos estudantes. Mais tarde, ele recebeu uma comissão de estudantes e garantiu acesso ao banheiro e a água durante a ocupação.

O tenente-coronel Reinaldo Priell Neto, chefe da Assessoria Militar do Legislativo, afirmou nesta terça-feira que deputados do PT facilitaram a entrada do grupo no plenário da Casa. Imagens de celular mostram o deputado João Paulo Rillo (PT) empurrando um PM que tentava conter a ocupação no fim da tarde.

“Ainda não falei com ele para saber o que aconteceu. Mas dizer que o PT participou disso é uma calúnia e quem disse terá de provar”, afirmou o líder do partido, Zico Prado.

Os estudantes estenderam faixas com os dizeres “Alesp Ocupada” e “CPI da Merenda Já”, subiram em mesas e cadeiras usadas pelos deputados e montaram uma barraca na frente do espaço reservado à Mesa Diretora da Casa. “Nossa única reivindicação é que se instaure uma CPI para apurar os desvios do ladrão de merenda, que se investigue a falta de comida nas escolas estaduais e nas técnicas”, disse o estudante Daniel Cruz, diretor da União dos Estudantes Estaduais (UEE).

Novas ocupações. Desde o dia 20, estudantes de Escolas Técnicas Estaduais (Etecs) se mobilizam para cobrar a adoção de merenda em todas as unidades. Mais duas foram ocupadas na manhã desta quarta-feira: Mandaqui, na zona norte; e Professor Aprígio Gonzaga, na Penha, na zona leste. 

Ao todo, são seis Etecs ocupadas por estudantes na capital: nesta terça-feira, foram tomadas a Professor Basilides de Godoy, na Vila Leopoldina, na oeste, e a Jaraguá, na zona norte; e na segunda-feira, 2, a Escola Técnica Estadual de São Paulo (Etesp), no Bom Retiro, na região central, e a Etec Paulistano, no Jardim Paulistano, na zona norte.

Já a Etec Santa Ifigênia, região central, teve as aulas suspensas por “medida de segurança”, segundo o Centro Paula Souza. Além das Etecs, a sede da autarquia estadual, também na Santa Ifigênia, continua ocupada.

Em nota, o órgão diz que aguarda audiência de conciliação com os estudantes, marcada para esta quarta-feira, às 15 horas. Mas destaca que “atividades vitais para a rede, onde estudam 285 mil alunos, estão comprometidas”. Entre os problemas destacados estão a falta de manutenção e o envio de insumos para as 35 Etecs agrícolas, onde estudam e moram alunos, e a paralisação dos processos seletivos do segundo semestre. Também foram suspensas capacitações de professores e atividades pedagógicas. 

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