Estudantes melhoram 9,63 pontos na nota do Enem em um ano

Apesar da ligeira melhora (de 501,5 para 511,2), ministro já projeta aumento para 600 pontos em 2028

Rafael Moraes Moura, O Estado de S. Paulo

10 Setembro 2011 | 18h00

BRASÍLIA - Os estudantes concluintes do ensino médio regular melhoraram em 9,63 pontos o desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) - de 501,58 para 511,21 na prova objetiva, quando comparada a edição de 2010 com a de 2009. Considerando os dois dias de aplicação, a média do bloco de ciências da natureza e ciências humanas saltou de 502,29 para 512,21; a de matemática e língua portuguesa, por sua vez, de 500,86 para 510,22.

 

A Teoria de Resposta ao Item (TRI), que calibra a dificuldade de avaliações distintas, permite a comparação dos dois últimos exames pela primeira vez.

 

"(Esse número) é compatível com a evolução que está se observando na educação brasileira, nem mais ou menos. É coerente. Se aparecesse uma nota de 550 (para a média da prova objetiva), ia chamar muito minha atenção, teria dificuldade para compreender", afirmou o ministro da Educação, Fernando Haddad. O ministro espera que essa média chegue a 600 pontos em 2028- projeção feita a partir de outras metas, como as estabelecidas pelo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica  (Ideb).

 

O Ministério da Educação (MEC), no entanto, não soube explicar ao Estado por que considerou as médias por dia de prova, em vez de cada disciplina isoladamente. Da forma como os dados foram disponibilizados, não é possível verificar, por exemplo, a variação nas notas de matemática ou de língua portuguesa nos dois últimos anos. Segundo Haddad, os números foram divulgados com "a mesma transparência de sempre".

 

 

Entre os participantes do Enem, o número de alunos concluintes do ensino médio que se inscreveram e fizeram a prova aumentou de 824.027 (45,8% do total de concluintes) para 1.011.952 (56,4%). "O que queremos é que o Enem seja uma espécie de componente curricular do ensino médio, que os estudantes façam o Enem, mesmo que não pretendam ingressar em uma universidade, que eles o façam como atividade de conclusão da educação básica, até para saber como terminaram isso", comentou Haddad.

 

As duas últimas edições do Enem foram marcadas por uma série de problemas, como o vazamento da prova, em 2009, revelado pelo Estado, e a troca de cabeçalho resposta e falhas de encadernação em 2010. A prova deste ano, supervisionada pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) e por uma empresa de gestão de riscos, terá a mesma calibragem da realizada nos últimos dois anos, informou o MEC.

 

Ação estadual. Para o coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, o aumento da nota do Enem deve-se principalmente ao esforço das secretarias estaduais de educação. "A melhoria do Enem não é uma conquista do MEC, é uma conquista das secretarias estaduais de educação, em primeiro lugar. A União como um todo poderia fazer mais pela educação básica brasileira", afirma.

 

"Estamos saindo de uma situação muito ruim para uma um pouco melhor, mas muito distante de uma situação mediana. O Brasil está melhorando o que é possível dentro de um sistema ruim."

 

Para o presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Daniel Iliescu, o resultado é muito distante do "Brasil que a gente quer". "O Brasil ultrapassou a Itália para ser a sétima economia do mundo, mas no índice de educação da Unesco aparece na 88ª posição, o que é completamente desproporcional", critica. "Quando sai uma nota como essa, é porque se está avaliando o aluno e as condições nas quais ele está inserido. Reflete não apenas a inteligência ou a assimilação dos conhecimentos, mas as condições de infraestrutura, a valorização dos professores, questões extraescolares."

 

Na avaliação do ministro Haddad, o aumento da nota do Enem pode ser atribuído ao próprio exame. "O Enem organiza um currículo racional em três anos. Sempre trabalhamos com essa hipótese, de que a substituição do vestibular pelo Enem facilitaria a organização do currículo do ensino médio", disse.

 

Redação. Entre 2009 e 2010, os alunos concluintes do ensino médio também melhoraram a nota de redação, que saltou de 585,06 para 596,25. A redação, no entanto, não é respaldada pela TRI, ao contrário da prova objetiva.

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