Estudantes do Mackenzie denunciam caso de racismo na universidade

Aluno levou o irmão para conhecer o campus e os dois teriam sido seguidos e intimidados por seguranças da instituição, segundo denúncia

Isabela Palhares, O Estado de S. Paulo

24 Agosto 2017 | 13h48
Atualizado 24 Agosto 2017 | 21h23

SÃO PAULO  - Estudantes da Universidade Presbiteriana Mackenzie, no centro de São Paulo, denunciaram um caso de racismo contra um aluno e seu irmão dentro do câmpus da instituição. O Coletivo Negro Afromack e diretório Acadêmico da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (Dafam) publicaram nas redes sociais o relato da situação, que ocorreu no dia 17 de agosto. 

Segundo o texto, o aluno do Centro de Comunicação e Letras (CCL) levou o irmão para conhecer o câmpus do Mackenzie, já que ele tem vontade de estudar na universidade também. Ainda na portaria da instituição, a entrada do jovem foi barrada pelos seguranças. O aluno teria explicado que só apresentaria o câmpus ao irmão e ele acabou sendo liberado a entrar. 

Os dois seguiam ao Dafam, quando perceberam que era acompanhados de longe por vários seguranças. "Uma quantidade totalmente desproporcional de seguranças aguardava-os na entrada do diretório, continuando a observá-los nos ambientes externos do câmpus até a saída de ambos. Houve ainda, o comentário do segurança para um aluno da arquitetura, dizendo que estava fazendo aquilo para segurança deste (aluno branco)", relata o texto.

Na publicação, o coletivo disse estar "consternado" com o fato, já que a atitude dos seguranças com visitantes brancos não é a mesma que ocorreu. "Fato que evidencia o racismo presente dentro da Instituição, onde sempre há um inimigo a ser perseguido e este é construído sob um olhar subjetivo, onde o perfil da ameaça é sempre marcado pelo fenótipo", diz. 

Os alunos ainda lembraram que essa não foi a primeira situação de racismo ocorrida dentro da universidade.  "Pichações nos banheiros, piadas e constante reafirmação de estereótipos dentro e fora das salas de aula", exemplifica o texto. 

Em nota, o Mackenzie disse que "foram adotadas providências imediatas para a apuração do ocorrido". Segundo a universidade, o Setor de Segurança do Mackenzie disse que os procedimentos de ingresso de não alunos na portaria "seguiram exatamente os padrões adotados para todos os visitantes".

Em relação à alegação de atitude indevida dos profissionais de segurança no Dafam, O Mackenzie diz que "foram cumpridos os procedimentos normais de ingresso de visitantes, que incluem o acompanhamento até o local solicitado. No caso em questão, havia sido informado o desejo de conhecer o câmpus, contudo, o visitante se dirigiu ao referido Diretório Acadêmico".

Segundo o Mackenzie, os cuidados com a segurança "evidenciam o respeito e a preocupação da instituição com seus alunos, os quais são a principal razão de ser da instituição". A escola diz, ainda, que os procedimentos "obedecem aos mais modernos e eficazes modelos de proteção e não distinguem os visitantes em todos os campi, por etnia, credo ou gênero".

O Mackenzie diz, ainda, que "não admite preconceito e discriminações de quaisquer espécies e sempre repudia com veemência comportamentos que firam os preceitos da tolerância e do respeito à dignidade humana." 

 

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