Estudantes de Jornalismo comentam fim do diploma obrigatório

STF derruba, por 8 votos a 1, a exigência da formação superior para o exercício da profissão

Ana Bizzotto, Especial para O Estado de S. Paulo

17 Junho 2009 | 20h13

O Supremo Tribunal Federal derrubou, por 8 votos a 1, o diploma obrigatório para o exercício de Jornalismo. Os ministros seguiram o entendimento do relator do processo, Gilmar Mendes, de que a exigência do diploma se choca com a garantia dada pela Constituição à liberdade de expressão. O único que votou pela manutenção do diploma como pré-requisito para trabalhar como jornalista foi o ministro Marco Aurélio Mello. O Supremo se manifestou sobre o assunto porque o sindicato das empresas de rádio e televisão do Estado de São Paulo e o Ministério Público Federal questionaram a constitucionalidade do diploma obrigatório.   A estudante Mariana Garcia, de 21anos, cursa o 4º ano de Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais e defende a obrigatoriedade do diploma. "A profissão de jornalista exige um saber diferenciado. Há reflexões que a gente só faz dentro da academia. Os cursos de comunicação são muito recentes, então ainda há muito para se discutir, mas acho importante ter uma classe coesa, até para garantir os direitos do profissional e o pacto entre o jornalista e o leitor. E o diploma fortalece esse pacto, torna-o mais forte."   Veja também:    Por 8 a 1, STF derruba exigência de diploma para jornalistas   René Arruda, de 22, está no 4º ano de Jornalismo da PUC-SP e considera o diploma necessário. "O jornalismo não é apenas escrever bem. É preciso desenvolver um senso crítico para exercer a profissão. Um jornalista formado tem uma base melhor para cumprir o seu papel, que não é apenas o de escrever, mas também o de pensar. A derrubada da obrigatoriedade do diploma atende a interesses muito grandes de empregadores que querem mão de obra mais barata, que seja mais facilmente controlada. "   A estudante Gabriela Brasileiro, do 4º ano de Jornalismo da Cásper Líbero, também discorda da decisão do STF. " A técnica de escrever é o mais fácil, em uma semana de estágio você aprende. Mas a universidade oferece uma formação que te dá uma base para escrever melhor. Se qualquer um pode escrever, então não precisa de faculdade, e aí qualquer um também pode operar um paciente. Acho que vai cair a qualidade dos textos, que já não são muito bons", critica.

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