Estudantes da USP protestam na Avenida Paulista a favor de cotas

Grupo caminhou até a Praça Roosevelt, no centro da capital

Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

24 Junho 2014 | 18h30

Atualizada às 20h28

SÃO PAULO - Pelo menos 150 estudantes da Universidade de São Paulo (USP), segundo a Polícia Militar,  fizeram um protesto na noite desta terça-feira, 24, a favor de cotas na instituição. O grupo caminhou do Museu de Arte de São Paulo (Masp) até a Praça Roosevelt, no centro da capital. Os organizadores do ato estimam que cerca de 600 pessoas estavam presentes. Policiais militares acompanham o ato em bicicletas. 

Os manifestantes se reuniram a partir das 17h no vão livre Masp e iniciaram a marcha quase uma hora e meia depois. Quando os manifestantes chegaram na esquina da Rua da Consolação com a a Rua Pedro Taques, houve um bate-boca com um grupo de motociclistas, que tentavam passar pela via interditada. A polícia precisou intervir. Por volta das 20h20, os manifestantes chegavam à Praça Roosevelt. Os estudantes marcaram novo protesto na próxima segunda-feira, 30, contra a situação ambiental do câmpus Leste da USP.  

Com gritos, faixas e tambores, eles diziam que a USP é elitista e reivindicaram mais políticas de inclusão, como cotas no vestibular e reforço na assistência estudantil. "A quantidade de negros na USP ainda é muito pequena, bem abaixo do que poderia ser caso a universidade seguisse a lei federal de cotas", afirmou Cristiane Alves Avelar, integrante do Núcleo de Consciência Negra da USP e aluna de Letras. 

A lei federal de cotas prevê reserva de 50% das vagas, com distribuição proporcional de cadeiras para pretos, pardos e indígenas de acordo com a população de cada Estado, nas instituições públicas federais até 2016. A USP adotou sistemas de bonificação, mas recusou as cotas raciais e sociais. 

A Pró-reitoria de Graduação, entretanto, já afirmou que pretende rediscutir neste ano as fórmulas de ingresso na instituição. "Também defendemos a universidade pública e gratuita. Queremos democratizar mais, e não pagar mais, como defendem alguns meios de comunicação", disse Cristiane.

Sem entender exatamente as causas do protesto que tomava a Paulista, o turista belga Nordin Beniz, de 40 anos, fazia fotos da passeata dos alunos. "Não é o que imaginávamos do Brasil. Pensávamos que o País inteiro parava para assistir ao futebol", disse ele, que estava acompanhado de amigos. "Eles estão certos de protestar", avaliou o estrangeiro. "E preciso aproveitar o momento em que todas as atenções estão voltadas para o Brasil", completou. 

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