Estudantes criticam impunidade

Em São Paulo, sensação é de inconformismo. No Rio, passeata contra a fraude

Mariana Mandelli e Talita Figueiredo,

06 Outubro 2009 | 13h08

Inconformismo é a palavra que mais definia o sentimento dos estudantes na segunda-feira. Além do cancelamento da prova do Enem do fim de semana passado, que complicou o calendário dos vestibulares, eles criticavam o andamento das investigações sobre o caso. Alguns cobravam pedido de prisão dos acusados de vazar a prova.   "Acho uma falta de respeito, porque a prova exige da gente tantas habilidades e não estamos vendo a principal, que é a ética", afirma Emelynne Paparini, de 20 anos, aluna do Objetivo de São Paulo e candidata a uma vaga de Medicina. "É lamentável, é a prova de que tudo no Brasil acaba em pizza", opina sua amiga Jaqueline Silva, de 20.   No centro do Rio, mais de 200 estudantes fizeram uma passeata para protestar contra o vazamento da prova. Muitos usavam roupa branca e nariz de palhaço. A manifestação foi realizada por grupos estudantis que não têm relação com a União Nacional dos Estudantes (UNE) e organizada pelo grupo Nova Organização Voluntária Estudantil (Nove), que congrega escolas tradicionais do Rio. A passeata seguiu até o Palácio Gustavo Capanema, sede do MEC na cidade.   Alguns estudantes colocavam em dúvida a credibilidade do exame, temendo uma nova fraude. "Acho que agora não dá para confiar tanto", afirma a vestibulanda Nathália Martoni, de 18 anos, aluna do Etapa. Catarina Mancini, de 19, concorda. "A credibilidade do Enem foi destruída." Entre os coordenadores de cursinhos, a indignação também se faz presente. "É um péssimo exemplo para a nação. Não me conformo de o Brasil ter de passar por isso", diz Vera Lúcia Antunes, do Objetivo. "A gente forma esses jovens e vem um grupo como esse e destrói o trabalho."   Para Alberto Francisco do Nascimento, coordenador de vestibular do Anglo, o caso é um baque. "Acho que a educação precisa ser tratada com mais seriedade neste País", afirma. "Pelo visto, eles (os acusados)> são amadores, mas e se fossem profissionais?"   Segundo advogados ouvidos pelo Estado, prisão dos acusados de envolvimento no caso só poderia acontecer em flagrante; após o processo terminar e ter sentença decretada; em caráter temporário (em crimes hediondos) ou em caráter preventivo (quando o suspeito oferece risco à sociedade). "Em tese, o caso (Enem) admite a prisão preventiva porque houve ameaça à repórter (do ‘Estado’)", afirma o jurista Luiz Carlos Gomes.   Agora, com o adiamento do exame, os candidatos concentram os estudos nos vestibulares. Os cursinhos consultados pela reportagem afirmam que vão manter a programação e não devem realizar novos simulados ou atividades específicas para o Enem

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