Estudantes chilenos voltam às ruas exigindo educação gratuita e de qualidade

A policia reprimiu os protestos com jatos d’agua e gás lacrimogênio

Agência Brasil,

23 Agosto 2012 | 21h39

Um ano depois de terem mobilizado o pais, com manifestações e ocupações de escolas e universidades, os estudantes chilenos voltaram às ruas. Nesta quinta-feira, 23, eles organizaram 14 marchas na capital, Santiago, e nos municípios vizinhos, para exigir educação gratuita e de qualidade para todos.

 

A policia reprimiu os protestos, que não haviam sido autorizados, com jatos d’agua e gás lacrimogênio. Alguns estudantes reagiram, atirando pedras e paus. Os manifestantes são alunos do ensino médio, que pedem maior participação do governo federal na educação. Os colégios secundários dependem dos governos municipais, que não investem o suficiente por falta de recursos ou de pressão politica.

 

Os estudantes chilenos mobilizaram o país no ano passado, quando ocuparam colégios e universidades e organizaram uma maratona de protestos nas ruas, atraindo a atenção da imprensa mundial. Os protestos tiveram apoio de pais, professores e de oito em cada dez chilenos e contribuíram para a queda de popularidade do presidente Sebastian Pinera que, apesar do crescimento de 5,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2011, não conseguiu a aprovação de mais de 27% dos eleitores chilenos.

 

No Chile, todas as universidades – mesmo as públicas – são pagas. Quem não tem recursos, recorre a empréstimos bancários para financiar os estudos e começa a carreira profissional endividado. Existem colégios de ensino médio gratuitos, mas dependem das prefeituras: os municípios menores ou mais pobres normalmente não têm recursos suficientes para investir em educação. O governo subsidia algumas escolas privadas, para torná-las mais acessíveis, mas não controla como os proprietários dos estabelecimentos gastam o dinheiro.

 

Em 2011, o movimento estudantil conseguiu algumas vitórias, como créditos mais baratos para financiar os estudos universitários, mas muitos perderam o ano letivo em função dos protestos e terão que pagar mais um ano de estudos. Já os secundaristas acham que, apesar dos protestos, nada melhorou, por isso voltaram às ruas. Foi convocada uma paralisação nacional para o próximo dia 28.

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