ALEX SILVA/ESTADAO
ALEX SILVA/ESTADAO

Ato de estudantes termina em confusão na Estação da Sé

Grupo resolveu pular as catracas e agentes de segurança do Metrô reprimiram a ação com cassetetes

Paulo Saldaña, O Estado de S. Paulo

21 Dezembro 2015 | 19h31

Atualizada às 22h45

SÃO PAULO - Depois de quatro horas e meia de manifestação pacífica dos estudantes contrários à política educacional do governo Geraldo Alckmin ( PSDB), houve uma confusão dentro da Estação Sé do Metrô. Os manifestantes resolveram pular as catracas e, por volta das 21h30, agentes de segurança da companhia reprimiram a ação com cassetetes.

O ato, que começou por volta das 17h na Avenida Paulista, seguiu até a Sé, onde se dispersou por volta das 21h30. Os manifestantes desceram então para a estação e pularam as catracas. Um grupo grande já havia passado sem pagar quando seguranças se reuniram e impediram que mais gente pulasse.

Um fotógrafo teve a lente quebrada por um dos seguranças. Ao menos dois estudantes foram arrastados pelas catracas. O estudantes Eudes Cassio da Silva, de 18 anos, foi cercado por dois seguranças e atacado com cassetetes. "Eu não fiz nada, os caras vieram pra bater", disse ele, mostrando os hematomas no braço.

Os estudantes ocuparam às 18h47 a Avenida Paulista no sentido Consolação. Desde as 16h30 os manifestantes se concentravam sob o vão livre do Masp, onde começou o bloqueio.

Eles desceram pela Avenida Consolação, passaram pela Secretaria de Segurança Publica do Estado e finalizaram o ato na Praça da Sé. 

Por todo o trajeto não houve episódios de violência. Policiais militares que acompanharam o ato entraram na estação durante a confusão.

Choveu durante toda a tarde na região da Paulista. Segundo os manifestantes, cerca de 800 pessoas participaram do ato. A Polícia Militar não informou estimativa do número de participantes.

Os estudantes são contra a reorganização da rede escolar anunciada pela gestão e já revogada. Mais de 190 escolas foram ocupadas, mas hoje a secretaria de Educação afirma que há 40 ocupações. Após o recuo do governo e a suspensão do projeto para 2016, escolas foram desocupadas mas o movimento não foi interrompido. 

A ideia era fechar 93 escolas no ano que vem e transformar 754 prédios em unidades de ciclos únicos. O governo argumenta que esse tipo de escolas tem melhor desempenho no Idesp. Sobre o fechamento das unidades, a gestão defende que houve queda no número de alunos.

O movimento não chegou a um consenso sobre a total desocupação das unidades. Segundo o estudante João Oliveira, de 17 anos, o ato desta segunda tem o objetivo de mostrar que a mobilização dos estudantes continua. "Mesmo com a desocupação das escolas, queremos que não se perca essa mobilização histórica dos secundaristas", diz ele, que participa da ocupação na Escola Estadual Fernão Dias, em Pinheiros. "Vamos fazer um encontro estadual em janeiro".

Por meio da assessoria, o Metrô informou que os seguranças agiram para impedir que os manifestantes invadissem a Estação da Sé. "O grupo burlou o sistema e os agentes de segurança do Metrô usaram de força moderada para conter os manifestantes". Ainda de acordo com o Metrô, ninguém necessitou de atendimento médico. /PAULA FELIX

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