Estagiários do Exército substituem servidores na USP, dizem grevistas

Funcionários em greve reclamaram da situação no restaurante do câmpus em Pirassununga; administração nega irregularidades

Victor Vieira , O Estado de S. Paulo

11 Setembro 2014 | 03h00

O fornecimento de refeições no Restaurante Universitário do câmpus de Pirassununga, da Universidade de São Paulo (USP), virou alvo de críticas do movimento grevista local. Sindicalistas dizem que estagiários do Exército foram usados para cobrir a ausência de servidores do refeitório que estão parados.

A prefeitura do câmpus diz que a prestação de serviço já estava prevista, por meio de parceria, e não há nenhuma irregularidade. Dois estagiários vindos do 13.º Regimento de Cavalaria Mecanizado, base do Exército no município, trabalharam cerca de duas semanas no refeitório universitário, que está com o funcionamento alterado por causa da paralisação. 

Segundo o prefeito do câmpus, Flávio Meirelles, a alocação dos dois estagiários já estava acertada antes mesmo do início da greve, em maio.

A iniciativa faz parte de um convênio, recém-firmado entre o Exército e a USP, de troca de estagiários em cozinhas de grande porte. “O restaurante tem custo fixo alto e, cada vez que deixamos de servir os alunos, há um prejuízo grande ao Estado”, justifica Meirelles.

Após a reclamação dos grevistas, o período de trabalho dos estagiários foi encurtado em alguns dias. O funcionamento, diz Meirelles, foi mantido mesmo sem ajuda dos estagiários e com o remanejamento interno de servidores. Na greve, o local funciona durante o almoço, mas não oferece o jantar. 

A USP de Pirassununga não pôde enviar estagiários ao Exército, como previsto no convênio, por causa da greve. A reitoria informou que os câmpus são autônomos para fazer parcerias. Já o Exército não foi encontrado para comentar o caso. 

A queixa dos funcionários é de que o prefeito não poderia substituir grevistas e que o acordo com o Exército é desconhecido na unidade. “Nem experiência em cozinha os dois tinham”, criticou um servidor do restaurante, que não quis se identificar à reportagem. 

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